Mar avança sobre cidade com o 2º m² mais caro do Brasil e força obra milionária na orla da praia

Com investimento de R$ 60 milhões, Itapema pretende ampliar artificialmente a faixa de areia de Meia Praia para conter a erosão e reforçar a proteção contra eventos climáticos

Itapema pretende ampliar artificialmente a faixa de areia de Meia Praia em um trecho de aproximadamente 4,7 quilômetros da orla / Imagem gerada por IA

O avanço do mar sobre a costa catarinense levou uma das cidades mais valorizadas do mercado imobiliário brasileiro a investir em uma intervenção de grande porte. Em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi iniciada uma obra de alargamento artificial da faixa de areia. O objetivo é ampliar a praia de Meia Praia, região que concentra o segundo metro quadrado residencial mais caro do país.

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Confira fotos da região praiana no litoral norte de Santa Catarina:

Sendo assim, a intervenção deve abranger cerca de 4,7 quilômetros da orla. Além disso, vai ampliar a faixa de areia entre 20 e 60 metros, dependendo do trecho. Portanto, o investimento previsto é de aproximadamente R$ 60 milhões. A prefeitura e o Governo de Santa Catarina dividirão os recursos.

Como resultado, a licença ambiental de instalação foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) em maio deste ano. Sendo assim, com a autorização emitida, o município deverá avançar para as etapas finais de planejamento antes do início das obras, previsto para agosto.

Erosão preocupa moradores e poder público

Embora o forte crescimento imobiliário tenha marcado Itapema nos últimos anos, o município também enfrenta um problema recorrente de erosão costeira.

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O fenômeno ocorre quando ondas, correntes marítimas e ressacas removem gradualmente a areia da praia. Isso reduz a faixa de proteção natural entre o oceano e a área urbanizada.

Segundo o governo estadual, o projeto busca conter esse processo por meio da chamada alimentação artificial da praia. Essa técnica consiste no depósito de grandes volumes de areia retirados do fundo do mar em áreas previamente selecionadas.

Ao todo, a obra utilizará cerca de 416 mil metros cúbicos de sedimentos para ampliar a faixa de areia.

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Como será feito o alargamento

A obra retirará a areia de uma jazida submarina localizada a aproximadamente 19 quilômetros da costa.

Em seguida, embarcações especializadas transportarão o material até a orla e o distribuirão ao longo da praia para ampliar sua largura.

Além de aumentar o espaço disponível para moradores e turistas, a nova faixa de areia deverá funcionar como uma barreira adicional contra ressacas. Também será uma proteção contra eventos climáticos mais intensos.

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De acordo com o projeto, alguns trechos poderão ganhar até 60 metros extras de largura.

Região concentra um dos metros quadrados mais caros do país

A escolha de Meia Praia não ocorre por acaso. Além de ser uma das áreas mais afetadas pela erosão, o bairro concentra parte significativa da valorização imobiliária de Itapema.

Dados do Índice FipeZAP apontam que o município possui o segundo metro quadrado residencial mais caro do Brasil, com valor médio de R$ 15.179. O número fica atrás apenas de Balneário Camboriú, onde o metro quadrado é cotado a R$ 15.185.

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A diferença entre as duas cidades é de apenas R$ 6 por metro quadrado.

Obra segue tendência observada em outras cidades

O projeto de Itapema segue uma estratégia já adotada em outras regiões do litoral brasileiro.

Em Balneário Camboriú, uma obra semelhante concluída nos últimos anos ampliou a faixa de areia da Praia Central em dezenas de metros.

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Além de recuperar a praia, projetos desse tipo geralmente buscam aumentar a resiliência costeira diante do avanço do mar. Eles também ajudam a resistir às ressacas e a eventos climáticos extremos.

O que muda após a ampliação

A expectativa das autoridades é que a nova configuração da praia ofereça mais proteção para a orla urbana. Além disso, vai reduzir os impactos causados pela erosão ao longo dos próximos anos.

Com quase 76 mil habitantes e um dos mercados imobiliários mais valorizados do país, Itapema aposta na engenharia costeira. O objetivo é preservar uma área que se tornou estratégica tanto para o turismo quanto para a economia local.