Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (7) revelou que mais de 67% das moradoras de São Paulo já sofreram algum tipo de assédio. Essa parcela representa mais de 3,8 milhões de mulheres.
Os dados são do estudo “Viver em São Paulo: Mulheres”, realizado pela Rede Nossa SP, em parceria com o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica). Segundo o portal g1, a pesquisa ouviu 800 pessoas com 16 anos ou mais, em dezembro de 2022, de forma presencial e online.
Assédio no transporte público
As informações apontam que quase metade (45%) das mulheres dizem que já sofreram assédio no transporte coletivo; 29%, no ambiente de trabalho; 21%, no ambiente familiar; e 32% disseram que já foram agarradas, beijadas ou desrespeitadas sem o seu consentimento.
Apesar da maior visibilidade sobre a questão da violência contra a mulher, a Rede Nossa SP afirma que em cinco anos de monitoramento, não há alterações no ranking dos locais em que as mulheres mais se sentem ameaçadas. O transporte público e as ruas continuam sendo os mais temidos.
O transporte público permanece, pelo quinto ano consecutivo, como o local em que as moradoras do Estado mais correm o risco de sofrer assédio, na percepção delas.
No entanto, foi observada uma queda significativa das menções a transporte público em relação à pesquisa de 2021, quando este local foi citado por 52% das mulheres. Na pesquisa deste ano, esse índice foi de 39%.
Transporte particular também é local temido
No transporte particular, a insegurança aumentou ao longo dos anos, releva a entidade.
Na pesquisa de 2023, 19% das mulheres disseram que já sofreram assédio no transporte particular (táxi, Uber e 99). Em 2021, o percentual foi de 12%.
“Com 2/3 das paulistanas tendo sofrido algum tipo de assédio, embora o aumento da punição siga mais apontada como medida prioritária para combater a violência doméstica e familiar, o crescimento das menções à criação de novas leis sugere uma sensação de impunidade e de incapacidade da atual legislação em resolver o problema”, diz o estudo.
Tarefas domésticas
Segundo a pesquisa, as mulheres paulistas se veem responsáveis por toda ou a maior parte do trabalho doméstico: 29% dizem que elas fazem a maior parte e 16% responderam que essas tarefas são responsabilidade exclusiva das mulheres. Já entre as que disseram que o trabalho doméstico é dividido igualmente entre homens e mulheres, esse percentual foi de 36%.
Ainda com relação à divisão igualitária das tarefas domésticas, homens e mulheres têm percepções diferentes – para 44% dos homens, o trabalho é dividido igualmente, já entre elas só 30% tem esse mesmo entendimento.
Os dados mostram que as tarefas mais realizadas pelas mulheres são: preparar as refeições (67%), limpar a casa (56%) e lavar a louça (36%); as tarefas mais realizadas pelos homens são: lavar a louça (60%), preparar as refeições (42%) e fazer compras (36%).
As mulheres realizam mais as tarefas centrais da casa, como o cuidado diário dos filhos.
Apenas 8% do total de entrevistados e entrevistadas diz que os cuidados diários dos filhos são a tarefa mais realizada pelos homens, o que sugere que os homens se dedicam mais aos afazeres complementares às atividades delas.
O levantamento é realizado e tem intervalo de confiança de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
