X

"Péssimo para o país"

Joaquim Barbosa diz que militares inspiram e toleram insubordinação ao rebater Mourão

"Não subestime a inteligência dos brasileiros!" escreveu ainda o ministro aposentado.

Mônica Bergamo - Folhapress

Publicado em 22/01/2023 às 14:45

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Lula demitiu o comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda / Arquivo/Agência Brasil

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa teceu críticas aos militares e defendeu a troca de comando do Exército feita por Lula (PT) neste domingo (22) ao rebater críticas feitas pelo ex-vice-presidente da República e senador eleito Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Lula demitiu o comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda, em meio a uma crise de confiança aberta após os ataques do dia 8 de janeiro, em Brasília. À Folha, Mourão afirmou que o mandatário quer alimentar a crise com as Forças Armadas e que a decisão seria péssima para o país.

"Ora, ora, senhor Hamilton Mourão. Poupe-nos da sua hipocrisia, do seu reacionarismo, da sua cegueira deliberada e do seu facciosismo político! Fatos são fatos! Mais respeito a todos os brasileiros!", afirmou Joaquim Barbosa, em publicação nas redes sociais.

"'Péssimo para o país' seria a continuação da baderna, da 'chienlit' [baderna, em tradução livre] e da insubordinação claramente inspirada e tolerada por vocês, militares. Senhor Mourão, assuma o mandato [de senador] e aproveite a oportunidade para aprender pela primeira vez na vida alguns rudimentos de democracia! Não subestime a inteligência dos brasileiros!", escreveu ainda o ministro aposentado.

A troca no Exército, a principal das três Forças Armadas, ocorreu em meio a uma crise de confiança aberta após os ataques do dia 8 de janeiro, em Brasília.

Segundo auxiliares do presidente, a decisão foi tomada porque o agora ex-comandante Júlio Cesar de Arruda não demonstrou disposição de tomar providências imediatas para reduzir as desconfianças de Lula em relação a militares do Exército após a invasão do Palácio do Planalto e das sedes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso.

Arruda relutou em expor o Comando Militar do Planalto, que no mínimo falhou no dia 8. Ele também estava no comando da Força quando o Exército impediu que a Polícia Militar realizasse prisões de vândalos ainda no dia 8 de janeiro, no acampamento golpista em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília.

De acordo com relatos de aliados de Lula e generais ouvidos pela Folha, a gota d'água para exoneração foi Arruda ter resistido ao pedido de Múcio para que o tenente-coronel Mauro Cid fosse retirado do comando de um batalhão do Exército em Goiânia (GO).

Cid foi ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) e, como a Folha revelou, entrou na mira da Polícia Federal após serem identificadas transações suspeitas no gabinete do mandatário. O militar está nos EUA com o ex-presidente.

"Se o motivo foi tentativa de pedir a cabeça de algum militar, sem que houvesse investigação, mostra que o governo realmente quer alimentar uma crise com as Forças e em particular com o Exército. Isso aí é péssimo para o país", disse Mourão ao comentar o caso.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Diário Mais

Mau presságio? Branqueamento de corais pode ser sinal da morte dos oceanos; entenda

Estruturas são a base do Oceano

Cotidiano

Biquíni com casaco? Litoral de SP terá sol nos próximos dias, mas sem calor

Apesar da presença constante do sol, as máximas não passam dos 23 graus

©2024 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software

Newsletter