Um eventual agravamento do conflito envolvendo Irã pode ter impacto direto na balança comercial brasileira — especialmente na exportação de milho que passa pelo Porto de Santos.
Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), o monitoramento do cenário no Oriente Médio é estratégico porque o Irã foi responsável por 31% de todo o milho exportado pelo porto em 2025 — o equivalente a aproximadamente 4,5 milhões de toneladas.
Por que o Irã é tão importante para o milho brasileiro?
O país do Oriente Médio se consolidou como um dos principais destinos do cereal brasileiro, utilizando o milho principalmente para ração animal e abastecimento interno.
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Qualquer instabilidade política, sanção econômica, restrição bancária ou bloqueio logístico pode afetar contratos, embarques e fluxos de pagamento.
Embora a APS informe que não há impactos diretos nas operações até o momento, o risco não está nas rotas marítimas em si, mas na dependência comercial.
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Em cenários de guerra ou escalada diplomática envolvendo Estados Unidos e o Irã, podem ocorrer:
- Dificuldades em transações financeiras internacionais;
- Aumento no custo de seguro das cargas;
- Redirecionamento de compras para outros fornecedores;
- Suspensão ou adiamento de embarques contratados.
E o Porto de Santos?
A APS afirma que o porto segue operando normalmente e mantém diálogo constante com armadores, tradings e operadores privados. A estrutura portuária é considerada resiliente por atender cerca de 600 destinos globais.
No entanto, quando um único país representa quase um terço das exportações de um produto estratégico como o milho, o acompanhamento geopolítico deixa de ser apenas diplomático — e passa a ser econômico.
Se houver bloqueios comerciais ou sanções ampliadas contra o Irã, o Brasil poderá precisar redirecionar parte desse volume para outros mercados, o que pode pressionar preços e alterar o ritmo dos embarques.
Por enquanto, não há alteração nas escalas ou nas operações em Santos. Mas, em um mercado globalizado, um ataque a milhares de quilômetros de distância pode, sim, repercutir diretamente nos silos e terminais do maior porto da América Latina.
