A temporada de festas juninas representa muito mais do que tradição para uma indústria do Rio Grande do Sul. Nesse período, uma fábrica chega a produzir cerca de 2 milhões de paçocas por dia. Além disso, concentra aproximadamente R$ 117 milhões em faturamento. Esse resultado corresponde a um quarto de toda a receita anual da empresa.
Instalada em Santo Antônio da Patrulha, no interior gaúcho, a fabricante se consolidou como a segunda maior produtora de paçocas do Brasil. Em 2025, a companhia faturou R$ 463 milhões e estabeleceu uma meta ambiciosa para este ano: ultrapassar a marca dos R$ 500 milhões em receita.
Os meses de maio e junho são os mais importantes para a empresa. Com o aumento da procura por doces típicos, toda a operação é reforçada para atender à demanda.
Além dos 850 funcionários fixos, a indústria contrata cerca de 180 trabalhadores temporários, ampliando a equipe em mais de 20% durante a sazonalidade.
A produção diária de paçocas chega a 2 milhões de unidades, abastecendo supermercados e pontos de venda em todo o país.
Segundo Willian Freitas, diretor da empresa e neto do fundador, os produtos tradicionais possuem forte ligação com a cultura das festas juninas.
“As festas juninas têm uma importância estratégica para a empresa, porque representam uma das principais sazonalidades do ano. Produtos como paçoca, pé de moleque, pé de moça, amendoim doce e rapadura fazem parte da cultura junina brasileira. Além disso, possuem forte conexão emocional com o consumidor”.

Paçoca lidera as vendas
Embora a empresa possua um portfólio com mais de 250 produtos, aproximadamente 70% deles utilizam amendoim como ingrediente principal.
A categoria das paçocas é a principal fonte de receita, respondendo por mais de 25% do faturamento anual.
Além da versão tradicional, a fabricante também oferece opções produzidas com açúcar mascavo. Existem ainda versões sem adição de açúcar, acompanhando a crescente procura por alimentos com perfil nutricional diferenciado.
Para ampliar as vendas durante o período junino, a empresa reforçou sua estratégia nos supermercados.
Em vez de depender apenas das gôndolas, a marca instala barracas temáticas inspiradas nas festas de São João dentro dos estabelecimentos comerciais.
A iniciativa já mostrou resultados. Em 2025, as vendas realizadas nesses espaços ficaram 27% acima da meta, levando a empresa a ampliar em 30% o número de barracas nesta temporada.

Meta é ultrapassar R$ 500 milhões em faturamento
Depois de registrar receita de R$ 463 milhões no último ano, a expectativa é crescer cerca de 10% em 2026, alcançando aproximadamente R$ 508 milhões.
Além do fortalecimento nas festas juninas, a empresa aposta na expansão de produtos voltados ao público que busca opções mais saudáveis. A empresa aposta também no crescimento das vendas em farmácias, segmento onde passou a atuar recentemente.
A história da fabricante começou em 1962. Nesse ano, Israel Gomes de Freitas iniciou a produção artesanal de rapaduras feitas com melado de cana para abastecer comerciantes da região.
Na década de 1970, o amendoim passou a integrar a produção, dando origem ao pé de moleque. Posteriormente, surgiram as paçocas, que se tornariam o principal produto da empresa.
Atualmente, a indústria exporta para mais de 20 países. Ela está presente em cerca de 30 mil pontos de venda no Brasil. Além disso, permanece instalada no mesmo município onde iniciou suas atividades há mais de seis décadas.
Mesmo com a diversificação do portfólio, o período das festas juninas continua sendo o grande motor do negócio. Nesse período, a produção acelera para atender à demanda por um dos doces mais tradicionais da cultura brasileira.
