Doria enfrentará enchente em 2017 com cartilha de Haddad

As medidas de combate à chuva deste verão contemplam ações de 14 de novembro a 15 de abril

Em janeiro, quando sentar na cadeira de prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) assumirá o controle da cidade no auge da temporada de chuvas. Minimizar alagamentos, queda de árvores e quebra de semáforos será o primeiro teste de fogo da futura gestão.

Contudo, no meio de todo esse aguaceiro, os paulistanos não sentirão mudanças bruscas no método de prevenção e nas respostas da prefeitura a esses potenciais danos.

Isso porque, ao menos em 2017, Doria atuará de acordo com cartilha já desenhada pela atual gestão de Fernando Haddad (PT). As medidas de combate à chuva deste verão contemplam ações de 14 de novembro a 15 de abril.

Um dos principais dramas e que tende a não ter nenhuma mudança a curto e médio prazos é a prolongada falta de luz após as tempestades.

Sobre isso, Doria promete “fazer cumprir a lei” que manda a concessionária Eletropaulo enterrar a fiação elétrica, hoje exposta a interferências, como queda de árvores.

Diferentes gestões já tentaram: uma lei municipal de 2005, da gestão José Serra (PSDB), regulamentada em 2006 por decreto da gestão Gilberto Kassab (PSD) e que começou a ser tirada do papel em fevereiro por Haddad, manda a concessionária enterrar 250 km de fios por ano.

Se todos os 24,6 mil km da rede elétrica da cidade fossem enterrados, essa operação duraria 98,7 anos -isso no ritmo que manda essa lei.

A obrigação, contudo, foi barrada pela Justiça Federal. Essa entendeu que, como a Eletropaulo é uma concessão federal, essas questões fogem da gestão da prefeitura.

A empresa estima ainda custos de R$ 100 bilhões com as obras de enterramento, valor que seria repassado de forma progressiva aos usuários.

Ainda assim, segundo o professor Nelson Kagan, da Escola Politécnica da USP, enterrar fios não resolveria totalmente os cortes de energia. Ainda poderia haver alagamentos das caixas subterrâneas de energia. Quedas de luz levam a um outro problema em dias de chuva: semáforos apagados.

A gestão Haddad diz que as falhas ficam dentro do padrão de até 1% de equipamentos falhos em dias normais e até 2% em dias de chuva.

O problema é que a cidade de SP tem 6.335 semáforos. E 2% deles fora de uso em dias de chuva representam um total de 127 equipamentos apagados e contribuindo para complicar o trânsito.

Outro ponto sensível é a queda de árvores, que, além de provocar mortes, costumam deixar regiões inteiras sem luz. O pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) Sergio Brazolin levanta dois principais motivos: falta de planejamento no plantio e problemas no manejo.

Em 2017, à frente da Defesa Civil municipal e das operações de chuva da prefeitura estará o coronel Marco Aurélio Alves Pinto, ex-comandante do Corpo de Bombeiros e ex-chefe da Casa Militar do governo do Estado.

O comandante já trabalha no gabinete da Defesa Civil e chegou com um discurso de integrar forças e informações da prefeitura com o Estado.

Segundo a equipe de Doria, a prioridade neste primeiro verão é identificar os pontos críticos da microdrenagem, locais em que bocas de lobo e galerias subterrâneas de escoamento de águas da chuva costumam falhar.

Nesses locais, Doria deverá intensificar a limpeza. Obras como piscinões e revitalização de rios só devem começar a médio e longo prazos.