Dia da resistência do povo indígena

Índios de aldeias da Baixada Santista falam sobre o Dia do Índio, comemorado hoje; luta por direitos está na pauta das comemorações

A luta por direitos é a marca deste dia 19, data em que é comemorado o Dia do Índio. Os povos originários do Brasil resistem à segregação que sofrem desde o descobrimento do País em 1.500. Se naquele ano era estimada a presença de três milhões de índios em solo brasileiro, atualmente esse número não chega a 900 mil. A demarcação de terras está entre os principais problemas enfrentados pelos ­indígenas.

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“Para nós é uma data de luta. De lembrarmos os avanços que já tivemos e lutar pela garantia dos nossos direitos. Da nossa terra”, disse Karai Edmilson, cacique da aldeia Tekoá Mirim, de Praia Grande. A comunidade indígena fica no interior de uma Unidade de Conservação (UC) do Parque Estadual Serra do Mar,

Para celebrar a data, o cacique disse que hoje um grupo de estudantes de Santos visitarão a aldeia. “Vamos falar da cultura dos guaranis e também vai ter apresentação”, disse. A programação se estenderá por toda a semana. 

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Segundo o cacique Silvio Riju da aldeia Tangará, que fica em Itanhaém, o dia 19 de abril é uma data triste. “Um dia para lembrar a resistência de 516 anos. Um dia de tristeza que lembra massacre e violência”, afirmou. 

O conflito provocado pela disputa por terras é o que mais mata índios no Brasil. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que tramita na Câmara Federal, prevê a transferência de poder de demarcação das terras indígenas da União para o Congresso. Se aprovada, a medida pode significar a paralisação do processo de oficialização das áreas destinadas aos índios no Brasil.

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Paranapuã. Ronildo Amandios é membro da aldeia Paranapuã, em São Vicente, a comunidade indígena de situação mais crítica da Baixada Santista. Localizada no interior do Parque Estadual Xixová-Japuí, uma liminar concedida pela Justiça ao Governo do Estado, que detém a posse do local, determina a saída dos índios daquela área. A Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio da Advocacia Geral da União (AGU) já ­recorreu da decisão.

“O dia é de comemorações e também para mostrar que somos um povo guerreiro e resistimos há mais de mil anos e vamos resistir por milênios, mesmo com toda essa grande dificuldade.

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Descobriram o Brasil e estamos aqui mantendo a nossa cultura e a nossa tradição guarani m’bya. Tenho muito orgulho de ser um guarani e tenho muito orgulho das outras etnias que estão sempre na luta pelos nossos direitos. Nós, nações indígenas, estamos sempre lado a lado na luta”, disse Amandios. 

De hoje até quinta-feira (21), Paranapuã realiza os Jogos Indígenas. O evento, que reunirá diversas atrações culturais, terá início às 10 horas e é aberto à comunidade. A entrada é um quilo de alimento não perecível.

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A aldeia Paranapuã fica no final da Rua Engenheiro Saturnino de Brito, no Parque Prainha, próximo à Ponte Pênsil.

Bertioga

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Também terá festividade na aldeia Ribeirão Silveira, em Bertioga, que realizará nas próximas quinta, sexta e sábado (21 a 23) o Festival da Cultura Indígena ­Guarani Mbya. 

Os interessados em conhecer um pouco da cultura indígena terão transporte gratuito na sexta-feira e no sábado. A Prefeitura de Bertioga está disponibilizando dois ônibus para a aldeia, que fica em Boracéia. Serão duas saídas, no período da manhã, às 9 horas, com retorno às 13 horas, e no período da tarde, com saída às 13 horas e retorno às 18 horas.

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O ponto de encontro será na Casa da Cultura, que fica na Avenida Thomé de Souza, 130, no Centro.

Litoral concentra o maior número de aldeias de SP

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O litoral concentra o maior número de aldeias do Estado. A Baixada Santista reúne 17 aldeias e cinco terras indígenas localizadas nos municípios de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Bertioga. A população indígena nestas áreas é constituída por Guaranis Mbyas e Tupi-Guaranis (Ñandeva). A principal forma de subsistência é a agricultura e o artesanato.

O coordenador substituto da Funai na região, Marco Cantuaria, comentou a situação atual das comunidades indígenas da Baixada Santista. “Temos procedimentos de regularização inconclusivos em Piaçaguera (Peruíbe) e em Ribeirão Silveira (Bertioga), que passam por processo de identificação de terras. Paranapuã (São Vicente) uma liminar de reintegração de posse determina a saída dos índios. A AGU entrou com recurso”, informou.