Delegação alemã visita Brasil para discutir geração de hidrogênio verde

Representantes de associações da Alemanha voltadas ao mercado de hidrogênio verde visitaram instalações em Minas Gerais e no Ceará

A primeira parada da delegação no Brasil foi em Belo Horizonte para acompanhar as discussões da 39ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha

A primeira parada da delegação no Brasil foi em Belo Horizonte para acompanhar as discussões da 39ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha | Reprodução/FGV

Entre os dias 12 e 17 de março, uma delegação formada por representantes de associações da Alemanha voltadas ao mercado de hidrogênio verde esteve no Brasil para discutir oportunidades de cooperação e negócios entre os dois países na área das tecnologias PtX (Power-to-X), que correspondem ao uso do hidrogênio como integrador entre a geração de energia elétrica e outras aplicações, como energética e química.

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Organizada pelo projeto H2Brasil, que integra a Cooperação Brasil-Alemanha pelo Desenvolvimento Sustentável, a viagem da delegação contou com uma programação intensa de reuniões e visitas técnicas, visando a disseminação do potencial brasileiro no suprimento de hidrogênio verde em uma cadeia de valor global em formação. O principal objetivo da missão era fomentar o diálogo entre os representantes de associações, autoridades do Governo de Brasil e Alemanha e o setor industrial para discutir a viabilização e o desenvolvimento de negócios na economia de transição energética, principalmente por meio do hidrogênio verde.

A delegação foi composta por Gianna-Maria Pedot, Assessora Técnica no projeto H2Brasil da GIZ Brasil; Toraf Pilz, Conselheiro de Política Externa da Bundesverband der Energie- und Wasserwirtschaft (BDEW); Werner Diwald, Presidente do Conselho da Deutscher Wasserstoff- und Brennstoffzellen-Verband e. V. (DWV); Catharina Horn, Gerente de Programas Internacionais de Energia do NOW GmbH; Ekaterina Esche, responsável pela Comunicação Internacional da Bundesverband Energiespeicher Systeme e.V. (BVES); e Romuald Bittl, Conselheiro e Chefe do Departamento de Economia e Desenvolvimento do Distrito de Rostock.

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Programação

A primeira parada da delegação no Brasil foi em Belo Horizonte para acompanhar as discussões da 39ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que promoveu, entre outros, um painel com autoridades, como Geraldo Alckmin, Vice-Presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil; Robert Habeck, Vice-chanceler e Ministro Federal de Assuntos Econômicos e Proteção Climática da Alemanha; e Cem Özdemir, Ministro Federal de Alimentação e Agricultura da Alemanha.

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Ainda em Minas Gerais, o grupo fez uma visita à empresa Neuman & Esser. Com investimentos de cerca de 8,5 milhões de euros, a empresa do grupo alemão inaugurou uma moderna fábrica em sua filial de Belo Horizonte. A planta produzirá geradores de hidrogênio verde por eletrólise, bem como reformadores de etanol e biometano.

O grupo participou também de um encontro com representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, a Invest Minas, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG).

“A pauta de hidrogênio verde já está na mesa, mas agora queremos trazê-la para a prática. Minas Gerais tem um imenso potencial no campo da geração de energia e estamos felizes em receber essa delegação para dialogar”, disse Kathleen Garcia, Secretaria de Estado Adjunta de Desenvolvimento Econômico.

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De Minas Gerais o grupo seguiu viagem para o Ceará para conhecer mais sobre o potencial do estado na geração de hidrogênio verde. Em Fortaleza, o grupo foi recebido por Hugo Figueiredo, CEO do Complexo de Pecém, porto industrial que está se tornando o primeiro centro de hidrogênio verde do Brasil. Com a assinatura de vários acordos internacionais, o polo oferece grandes oportunidades para a exportação de derivados de hidrogênio verde, como amônia e metanol, assim como para clientes potenciais em seu complexo industrial. O porto também abriga uma usina termoelétrica do Grupo EDP, a primeira de produção de hidrogênio verde comercialmente viável no Brasil.

Finalizando a agenda em Fortaleza, o grupo apresentou suas soluções para autoridades do governo local e representantes da indústria, como a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e visitaram o instituto SENAI/SESI do Ceará para conhecer o Centro de Competência de Transição Energética.

“A excelente relação entre Brasil e Alemanha é um grande capital que podemos oferecer para viabilizar tantas parcerias estratégicas”, afirmou o Vice-Presidente da FIEC, Carlos Prado, em seu discurso. “O tema de hidrogênio verde não é visto apenas como importante, mas como estratégico para o estado do Ceará. Queremos aprender e compartilhar aprendizado”, completou Salmito Filho, Secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará.

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 Percepções da delegação

Animado com as conexões realizadas, o grupo retornou à Alemanha na última sexta-feira (17) e se mostrou unânime quanto aos resultados positivos da missão.

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“Tivemos muitas interações interessantes nos últimos dias, com reuniões e vistas que nos ajudaram a entender melhor os aspectos do grande potencial brasileiro como exportador de hidrogênio verde. Pudemos entender melhor as estratégias e roadmaps das regiões visitadas, para compreender os potenciais de trabalho em cooperação e intercâmbio de tecnologia”, disse Catharina Horn, Gerente de Programas Internacionais de Energia do NOW GmbH. “As novas legislações ambientais vão promover uma verdadeira revolução nos próximos sete anos e reconhecemos que o hidrogênio é a energia que vai assegurar um fornecimento confiável. O que está sendo feito aqui no Ceará emite sinais muito positivos”, ressaltou Werner Diwald, Presidente do Conselho da Deutscher Wasserstoff- und Brennstoffzellen-Verband e. V. (DWV).

“Foram dias agradáveis e muito interessantes. Vimos um panorama da situação no Brasil em relação ao hidrogênio verde. E, em geral, que possibilidades existem de utilizá-lo de formas diferentes”, completou Romuald Bittl, Conselheiro e Chefe do Departamento de Economia e Desenvolvimento do Distrito de Rostock.

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As visitas técnicas promovidas pela delegação foram listadas como parte fundamental para que o grupo pudesse ter uma visão mais abrangente sobre o potencial brasileiro e as estruturas já existentes para escalar a produção.

“Para nós, como delegação, é muito interessante descobrir como funciona a economia do hidrogênio no Brasil, especialmente no Estado do Ceará, como funciona, que estratégia e plano têm e também que possibilidades podem ser trabalhadas em conjunto no setor do hidrogênio”, destacou Ekaterina Esche, responsável pela Comunicação Internacional da Bundesverband Energiespeicher Systeme e.V. (BVES).

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Os encontros com representantes do governo também foram listados como ponto alto na viagem. “As reuniões que tivemos com representantes do Governo, empresas e instituições evidenciaram o entusiasmo e dedicação do País em ocupar um papel de destaque na transição energética”, ressaltou Toraf Pilz, Conselheiro de Política Externa da Bundesverband der Energie- und Wasserwirtschaft (BDEW).