Cubanos começam a deixar País em dez dias

A data das primeiras partidas foi informada pela Embaixada ao presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em reunião realizada ontem

Os profissionais cubanos integrantes do programa Mais Médicos começarão a deixar o Brasil daqui a dez dias, segundo informou ontem a Embaixada de Cuba ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Anteontem, o governo de Cuba anunciou a saída do programa brasileiro por causa de declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que exigia mudanças nas regras do acordo. Com o fim da parceria, 8,3 mil cubanos terão de deixar o Brasil.

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A data das primeiras partidas foi informada pela Embaixada ao presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em reunião realizada ontem e que teve também a participação de representantes da Organização Panamericana de Saúde (Opas), intermediária do acordo entre Brasil e Cuba. Segundo o diretor de Comunicação Social do Conasems, Diego Ávila, o governo cubano disse ainda que a ideia é que todos os médicos deixem o Brasil até o fim do ano.

“Eles não informaram quantos viajarão no primeiro grupo nem de quais cidades serão. Até porque ainda estão tentando organizar a viagem porque serão necessários muitos voos”, explicou ele, que também é secretário de saúde de Piratini, cidade gaúcha de 20 mil habitantes onde quatro dos sete médicos de postos de saúde são cubanos.

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“Vai ser um caos. Metade da população da minha cidade mora na zona rural e só tem atendimento pelo Programa Saúde da Família (PSF), que hoje só tem cubanos. Os três médicos brasileiros que trabalham com a gente têm jornada de 20 horas semanais e não podem atender pelo PSF (que exige dedicação de 40 horas semanais). O impacto será grande”, afirma Ávila.

Secretário do município há 12 anos, ele conta que, antes da chegada dos cubanos, apenas 17% dos moradores da cidade tinham cobertura do PSF. Com os médicos estrangeiros, esse índice subiu para 70%. “Algumas comunidades na zona rural ficam a 80 quilômetros do centro da cidade, não têm linha de ônibus, o PSF é importante porque tem visitas domiciliares.”

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Segundo balanço do Conasems, 3.228 municípios brasileiros só têm médicos pelo programa federal (o número considera não só os cubanos, mas os outros estrangeiros e brasileiros também). Quase metade dos integrantes do programa, porém, são originários da ilha caribenha. Por isso, afirma o conselho, a saída dos cubanos deixará um “cenário desastroso”.

Edital

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O Ministério da Saúde afirmou que lançará um edital emergencial nos próximos dias para tentar repor os médicos cubanos. Disse ainda que estuda outras medidas para a contratação de profissionais, como a negociação com médicos graduados com apoio do Fies (financiamento estudantil).