Brasil aprova fim das aulas em autoescola para tirar CNH; veja o que muda

Medida passará a valer a partir do momento em que for publicada no Diário Oficial da União

Novas regras para tirar CNH foram aprovadas neste dia 1º de dezembro

Novas regras para tirar CNH foram aprovadas neste dia 1º de dezembro | Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou nesta segunda-feira (1º) uma resolução que muda de forma profunda o processo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil. A principal novidade é o fim da obrigatoriedade de fazer aulas em autoescola para se habilitar. A medida passa a valer assim que for publicada no Diário Oficial da União e faz parte de um pacote do governo federal para reduzir custos e burocracia.

Pelas novas regras, o candidato continua obrigado a fazer prova teórica e exame prático de direção, além de exames médicos e toxicológicos para algumas categorias. Mas o caminho até essas provas fica bem mais flexível. O curso teórico deixa de ter uma carga horária mínima: o conteúdo será oferecido gratuitamente em plataforma online do governo, e o aluno poderá estudar pela internet ou, se preferir, em autoescolas e instituições credenciadas.

Na parte prática, a mudança é ainda mais sensível. A exigência atual de 20 horas de aulas de direção cai para apenas 2 horas obrigatórias antes do exame final. Surge também a figura do instrutor autônomo credenciado, permitindo que o candidato escolha entre fazer aulas em um Centro de Formação de Condutores (CFC), contratar um instrutor independente ou combinar as duas coisas. Em todos os casos, o profissional precisará ser autorizado pelo Detran do estado.

Outra novidade é a possibilidade de o aluno treinar e fazer a prova com o próprio carro, desde que o veículo atenda às exigências de segurança do Código de Trânsito Brasileiro. Até hoje, as aulas práticas são concentradas nas frotas das autoescolas, o que encarece o processo e limita as opções do candidato.

Segundo o Ministério dos Transportes, a expectativa é que o custo total para tirar a CNH caia em até 80%, o que poderia beneficiar milhões de brasileiros que hoje dirigem sem habilitação ou desistem de iniciar o processo por causa do preço. Entidades que representam as autoescolas, porém, criticam a decisão e já falam em judicializar as mudanças, alegando risco de fechamento em massa de empresas e queda na qualidade da formação de novos motoristas.

Na avaliação do governo, a resolução moderniza o sistema, amplia a concorrência e democratiza o acesso à CNH. Já para o setor de autoescolas, o novo modelo ameaça um mercado consolidado há décadas e pode reduzir drasticamente a procura por pacotes tradicionais de aulas. O impacto real nas ruas — em preços, na segurança do trânsito e na sobrevivência das autoescolas — deve aparecer nos próximos meses, conforme a norma entrar em vigor e os Detrans adaptarem seus procedimentos.