Bolsonaristas invadem evento do PT com Lula em SP; assista

O vereador Eduardo Suplicy também roubou a cena no encontro; exaltado, ele pediu por renda básica de cidadania

O ex-presidente Lula (PT) no momento em que um invasor bolsonarista invade o evento desta terça (21) em SP

O ex-presidente Lula (PT) no momento em que um invasor bolsonarista invade o evento desta terça (21) em SP | Reprodução/Youtube

O ato de lançamento das diretrizes do programa de governo da chapa Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), nesta terça-feira (21), em São Paulo, foi marcado pelo protesto de bolsonaristas que entraram no local e por uma queixa pública do vereador da capital Eduardo Suplicy (PT).

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Um dos manifestantes entrou no evento, em um hotel nos Jardins (região central), durante os minutos finais da fala de Lula e chamou o ex-presidente de corrupto. O petista foi surpreendido, mas não deu resposta.

O homem também gritou em direção a Alckmin uma frase sobre “voltar para a cena do crime”, em alusão a uma fala do ex-governador sobre o PT quando ainda era adversário.

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Além dele, o grupo era formado por outros dois detratores do petista. Eles foram encaminhados para a delegacia. O homem que andou pelo salão e gritou contra os dois políticos foi identificado pelo ex-deputado federal Floriano Pesaro, que estava no local, como Caíque Mafra, ex-filiado do PSDB.

Lula (PT) é surpreendido por bolsonarista que anda em direção a ele em evento. – Vídeo: Reprodução/Youtube

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Mafra é ativista conservador, é pré-candidato a deputado estadual em São Paulo pelo Republicanos, apoiador do pré-candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defensor da família Bolsonaro nas redes sociais.

Após o protesto, os manifestantes foram retirados por assessores e seguranças. Em seguida, a polícia foi chamada. Lula chegou a interromper sua fala e abreviou seu discurso. Alckmin ficou em silêncio, com o semblante sério. “Eu nem sei o que…”, disse o petista sobre a situação, virando-se para o vice.

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A plateia, formada por membros da campanha e simpatizantes, buscou abafar a confusão com palmas e um coro de “olê, olê, olá, Lula, Lula”.

O evento foi marcado também por uma manifestação pública de Suplicy, que se levantou da plateia e foi até a mesa onde estava Aloizio Mercadante (PT), coordenador do programa de governo, reclamar da abordagem sobre renda básica de cidadania, sua bandeira de vida.

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Suplicy, em pé diante do ex-ministro, interrompeu o ex-ministro para dizer que a proposta “não foi considerada” entre os itens principais do documento e que sempre está nos planos do partido, mas não sai do papel.

 

O vereador Eduardo Suplicy (PT) se exalta ao pedir por renda básica de cidadania. – Vídeo: Reprodução/ Youtube

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O ex-senador disse, em tom exaltado, que não foi convidado para os debates sobre o documento. “Não me convidou para essa reunião”, disse, estendendo os braços para Mercadante em protesto. “E continuarei trabalhando muito para que Lula e Alckmin instituam a renda básica de cidadania.”

Mercadante disse que ele cometia uma injustiça ao dizer que o tema não estava no texto e leu o trecho sobre a proposta, reforçando a menção genérica por se tratar de uma lista de diretrizes, cuja discussão está na fase inicial para definir “as linhas gerais do programa”.

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“Você poderia olhar com mais cuidado”, respondeu o coordenador. A questão aparece no tópico sobre o Bolsa Família, que prega uma reformulação profunda do programa, “por etapas, no rumo de um sistema universal e uma renda básica de cidadania”.

O ex-ministro disse que o colega de partido será chamado para as próximas conversas e minimizou o embaraço, não sem antes recordar que “está acostumado” ao comportamento do correligionário, de quem já foi líder na bancada do Senado. Suplicy já fez desabafos públicos em outras ocasiões.

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Lula, em gesto para apaziguar os ânimos, afirmou que Suplicy está correto ao fazer a reclamação e disse que, se pudesse, já teria dado um prêmio Nobel ao vereador pela longa dedicação à renda básica.

O ex-presidente fez um desagravo ao correligionário e elogiou sua pauta. “Se Deus quiser, nós haveremos de implantá-la um dia no país”, afirmou, observando que o tema se tornou ainda mais relevante diante da crise econômica agravada pela pandemia de Covid-19 e pela crescente mecanização.