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Ar seguro no mundo é exceção e nenhuma região do Brasil cumpre limite da OMS

Enquanto relatório global da IQAir aponta apenas 13 países com ar limpo em 2025, dados nacionais revelam poluição acima do teto

Giovanna Camiotto

Publicado em 25/03/2026 às 04:52

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Poluição toma conta da Califórnia, nos Estados Unidos / Imagem gerada por IA

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Apenas 13 países e territórios no mundo conseguiram manter a qualidade do ar dentro dos limites considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025. O dado faz parte do mais recente Relatório Mundial de Qualidade do Ar, elaborado pela empresa suíça de monitoramento IQAir, e mostra que a poluição avança em escala global.

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No Brasil, o cenário também é de alerta, pois os dados consolidados mais recentes do governo mostram que nenhuma região do país respira um ar totalmente limpo.

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O estudo internacional analisou mais de 9.000 cidades em 143 países. O resultado aponta que a qualidade do ar está piorando no planeta, impulsionada pelas mudanças climáticas. Entre os principais culpados em 2025 estão a fumaça de queimadas florestais históricas e o uso de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.

A OMS define como limite seguro a presença de até 5 microgramas por metro cúbico de partículas finas no ar. Essas partículas vêm de escapamentos de carros, indústrias e queimadas. Por serem minúsculas, elas entram profundamente nos pulmões e no sangue, causando asma, infartos e câncer.

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No mundo, 91 por cento dos países não respeitaram esse limite em 2025.

Onde está o ar limpo no mundo?

O grupo que cumpre as regras da OMS é formado por locais isolados ou ilhas. Na Europa, apenas Andorra, Estônia e Islândia passaram no teste. Os outros dez são Austrália, Barbados, Bermudas, Polinésia Francesa, Granada, Nova Caledônia, Panamá, Porto Rico, Reunião e Ilhas Virgens Americanas.

Na outra ponta, os países mais poluídos do mundo foram Paquistão, Bangladesh e Tajiquistão. Na Índia, a cidade de Loni registrou um ar 22 vezes mais poluído do que o recomendado.

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A realidade invisível no Brasil

Embora o Brasil não esteja no topo dos países mais poluídos do planeta, os dados nacionais mostram um problema crônico e generalizado. Segundo o último balanço do Painel Vigiar (uma parceria dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente com dados consolidados de 2023), os brasileiros respiram ar acima do teto da OMS.

A média nacional registrada foi de 9,9 microgramas por metro cúbico — praticamente o dobro do limite de 5 microgramas estipulado pela Organização Mundial da Saúde.

A região Norte registrou a pior média do país (15,1 microgramas), puxada por estados como Rondônia e Amazonas. O desmatamento e as queimadas na Amazônia têm impacto direto na qualidade do ar que a população respira, de forma parecida com o que os incêndios florestais causam na Europa e na América do Norte.

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No Sudeste, a cidade de São Paulo registrou uma média de 36,5 microgramas por metro cúbico, um número que se assemelha a polos industriais e grandes centros urbanos de países em desenvolvimento. No Rio de Janeiro, a média ficou em 13,3 microgramas, e em Minas Gerais, 96 por cento das cidades respiram um ar fora do padrão desejável.

A região Sul registrou 9,1 microgramas e o Centro-Oeste marcou 9,8 microgramas. O Nordeste apresentou o melhor índice médio do Brasil (8,1 microgramas), mas ainda assim ultrapassa o teto internacional em 62 por cento.

Falta de dados e vigilância

O relatório da IQAir aponta que o monitoramento global de poluição sofreu apagões em 2025. O governo dos Estados Unidos encerrou seu programa global de medição, deixando milhões de pessoas sem acesso a dados locais em tempo real. Outros 44 países tiveram seus sistemas de fiscalização enfraquecidos.

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Tanto no Brasil quanto no exterior, os órgãos de saúde convergem no mesmo diagnóstico: a exposição contínua a esses poluentes é hoje um dos principais problemas de saúde das cidades. Como a fumaça não respeita fronteiras, quem mora nos grandes centros urbanos ou perto de áreas agrícolas e florestais acaba respirando o problema diariamente.

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