Após duas semanas em solo turco, missão humanitária do Governo Federal volta ao Brasil

Comitiva estava no país desde 9 de fevereiro, onde realizou 46 operações de busca e salvamento e 74 atendimentos médicos, além da distribuição de cestas básicas para pessoas afetadas pelo terremoto

Terremoto atingiu a Turquia e a Síria

Terremoto atingiu a Turquia e a Síria | Reprodução/Twitter/UNOCHA

A missão humanitária brasileira enviada pelo Governo Federal à Turquia, onde houve forte terremoto no dia 6 de fevereiro, desembarcou no Brasil no início da noite dessa sexta-feira (24). Liderada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a comitiva esteve no país por mais de duas semanas (desde 9 de fevereiro) e concentrou as operações, a pedido do governo turco, nas cidades de Kahramanmaras e Hatay. No total, foram realizadas 46 operações de busca e salvamento e 74 atendimentos médicos, além da distribuição de cestas básicas.

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A equipe brasileira foi coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em articulação com os ministérios da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Defesa, da Saúde e da Justiça e Segurança Pública.

De acordo com o coordenador de Estudos Integrados da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do MIDR, Rafael Machado, que liderou os trabalhos em solo turco, foram múltiplos os desafios enfrentados pela equipe brasileira.

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“Foram vários dias em uma situação que exigiu física e psicologicamente de todos. Ficamos acampados em temperaturas muito frias, percorremos longas distâncias, em diferentes modalidades de transportes. Foi uma sequência de atividades em que as equipes ficaram o período inteiro realizando missões de resgate nos escombros”, contou.

Segundo Rafael, os trabalhos foram concluídos com sucesso. “Conseguimos atingir o objetivo da missão, que era somar esforços com as autoridades turcas e as equipes internacionais. Estivemos operando todos os dias que estivemos no local, inclusive durante a noite”, ressaltou.

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Capitã médica da Polícia Militar de São Paulo, Fabiana Costa também comentou sobre o trabalho da missão humanitária brasileira. “Foram dias muito difíceis. Viver a experiência do terremoto dá uma sensação de impotência. O povo turco é muito acolhedor, apesar de muito sofrido, parecido com o brasileiro, apesar das diferenças culturais. É uma sensação de alegria, de felicidade voltar para casa, para um país tão seguro e feliz como o nosso”, afirmou.

A delegação do Governo Federal contou com 42 pessoas, incluindo bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e corpo médico. Além das equipes de resgate e salvamento, o Brasil enviou seis toneladas de equipamentos para ajudar nas buscas e para sustentar as equipes durante os trabalhos, além de quatro cães farejadores para ajudar na localização das vítimas.

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Também foram enviados três kits calamidade, que contêm, cada um, 250 kg de medicamentos e itens emergenciais. Os kits têm capacidade para atender até 1,5 mil pessoas pelo período de um mês.

Segundo o diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), Armin Braun, que não esteve na Turquia, o Brasil pode voltar a dar apoio a outros países vítimas de desastres.

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“O Brasil é um país com grandes capacidades de atuar em desastres dentro do país e também acabou por desenvolver a mesma capacidade para apoiar outros países. A gente sabe que desastres não têm fronteiras e há situações, como esse terremoto, por exemplo, que muitas vezes sobrepõem a capacidade local de atendimento. E é preciso que outros países ajudem e estamos cada vez mais preparados para isso”, comentou.