Ameaça no cardápio: peixe queridinho dos brasileiros está em perigo de extinção após queda de 75% na população

Queda da população e pesca acima do limite elevam risco de extinção e exigem medidas urgentes

Até então, a classificação do pargo era “vulnerável”. Com a nova avaliação, o risco aumenta e o alerta ganha força. Divulgação/Gov

O pargo, peixe bastante consumido no Brasil e importante para a economia, agora integra a categoria “em perigo” de extinção. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima anunciou a mudança e indicou o aumento do risco de desaparecimento nos últimos anos.

Até então, a classificação do pargo era “vulnerável”. Com a nova avaliação, o risco aumenta e o alerta ganha força. Sem medidas eficazes, a espécie pode desaparecer da natureza igual já aconteceu com outras.

Por que o pargo está ameaçado

Segundo estudos feitos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o principal problema é a pesca em excesso.

Muitos peixes estão sendo capturados antes mesmo de se reproduzirem, o que dificulta a reposição natural da espécie. Além disso, a pesca em áreas rasas, onde ficam os peixes mais jovens, agrava ainda mais a situação.

Outros fatores também contribuem para o risco de extinção, como o uso de equipamentos de pesca que capturam muitos peixes de uma só vez, o desrespeito às regras já existentes, as mudanças climáticas, como o aumento da temperatura do mar, e a captura acidental em outras pescarias, como a de camarão.

Queda acentuada da população

O número de pargos diminuiu muito nas últimas décadas. Estudos apontam uma queda de mais de 76% desde os anos 1990.
Hoje, a pesca da espécie acontece em níveis cerca de 175% acima do considerado sustentável, ou seja, muito além do que a natureza consegue repor.

Impacto na economia

Apesar do risco ambiental, o pargo é muito importante para a economia, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Devido a isso, o estado do Pará, por exemplo, é responsável por cerca de 87% da produção nacional. A pesca movimenta empregos e renda para milhares de pessoas, incluindo pescadores, trabalhadores de indústrias e logística.

O que o governo pretende fazer

Com a nova classificação, o plano de recuperação da espécie, em vigor desde 2018, será revisado e regras mais rígidas serão implementadas, como a definição de um limite anual de pesca, a exigência de tamanho mínimo para os peixes capturados, a criação de áreas onde a atividade será proibida e o reforço da fiscalização e do controle da atividade pesqueira.

O governo apresentará as novas medidas até o fim de maio. Até lá, as regras atuais continuam em vigor.

Por que isso é importante

A lista de espécies ameaçadas serve para orientar ações de proteção e políticas públicas. Quando um animal entra na categoria “em perigo”, significa que medidas urgentes precisam ser tomadas.

O objetivo não é proibir a pesca, mas garantir que ela continue de forma sustentável no futuro, sem levar à extinção da espécie. Caso as novas regras funcionarem, o pargo pode se recuperar e continuar fazendo parte tanto da natureza quanto da economia brasileira.