Brasil
A empresa retira o gás natural do solo e, no mesmo lugar, constrói uma usina para transformar esse gás em eletricidade
Uma usina termoelétrica, fundamental para a energia chegar na sua casa / Imagem ilustrativa/IA - Gemini
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Se você acompanhou o noticiário econômico nas últimas horas, provavelmente viu o nome Eneva (ENEV3). Para quem não é do mundo dos investimentos, a empresa pode parecer desconhecida, mas ela é uma peça fundamental para que a luz chegue à sua casa, especialmente nos momentos de crise energética.
Nesta terça-feira (10), as ações da companhia registraram uma queda brusca, chegando a recuar mais de 17%. Mas o que essa empresa faz e por que o mercado reagiu tão mal a uma decisão técnica do governo?
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Imagine uma empresa que retira o gás natural do solo e, no mesmo lugar, constrói uma usina para transformar esse gás em eletricidade. Esse é o modelo de negócio da Eneva. Ela é a maior operadora privada de gás natural do Brasil.
Diferente das usinas hidrelétricas, que dependem da chuva, as usinas térmicas da Eneva funcionam como uma "reserva de segurança" para o país. Quando os rios estão baixos ou quando precisamos de energia rápida para complementar a solar e a eólica, a Eneva entra em cena.
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A Eneva estava se preparando para um grande evento em março: o Leilão de Reserva de Capacidade. Pense nisso como um processo onde o governo contrata empresas para ficarem de prontidão, garantindo que não falte energia no futuro.
O mercado financeiro esperava que o governo pagasse um valor "X" por essa disponibilidade. No entanto, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) definiu um preço-teto muito menor — menos da metade do que os especialistas previam.
Para a Eneva, isso significa que o lucro esperado com seus novos projetos pode ser bem menor do que o planejado. Como os investidores compram ações baseados na expectativa de lucros futuros, o anúncio foi recebido com pessimismo, gerando a onda de vendas na Bolsa.
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Embora a queda assuste, a empresa não parou de operar. No mesmo dia, a Eneva anunciou que conseguiu um desconto em impostos para um projeto no Maranhão, o que vai economizar cerca de R$ 70 milhões.
O que estamos vendo hoje é o que o mercado chama de "ajuste de expectativas". A Eneva continua sendo uma gigante do setor de energia, mas agora terá que provar que consegue ser lucrativa mesmo com as novas regras mais rígidas impostas pelo governo.