‘Você tem um cigarro?’ A pergunta de um homem que lutou para sobreviver no escuro por 5 dias

A história de sobrevivência do mergulhador que viralizou depois de passar 120 horas preso em caverna submersa

Wang sobreviveu 120 horas em um bolsão de ar numa caverna submersa, comendo peixes crus para viver

Wang sobreviveu 120 horas em um bolsão de ar numa caverna submersa, comendo peixes crus para viver - Imagem gerada por IA / Diário do Litoral

Um mergulhador chinês de 40 anos, identificado apenas pelo sobrenome Wang, passou cinco dias preso dentro de uma caverna submersa na província de Hunan, no centro da China. Ele sobreviveu em um pequeno bolsão de ar, a 9 metros de profundidade, comendo peixes crus que capturava com as próprias mãos.

O desaparecimento aconteceu no dia 19 de julho de 2025. Wang mergulhava com um amigo no Rio Youshui, na região de Xiangxi, quando entrou por engano em um sistema de cavernas de calcário inundadas. Perdeu a referência, o amigo não o encontrou mais e o alarme foi dado.

O resgate aconteceu cinco dias depois, no dia 24 de julho. E o que Wang disse ao ser salvo correu o mundo.

O mergulho que virou pesadelo

Wang é um mergulhador experiente, natural de Furong Town, na mesma região de Hunan. No dia da travessia pelo rio, ele se separou do grupo e acabou entrando em uma fenda submersa sem perceber.

Dentro da caverna, ele se viu perdido na escuridão total. O tanque de ar comprimido já estava praticamente vazio. Wang nadou às cegas até encontrar um bolsão de ar preso no teto da caverna. Ali, ele se agarrou à vida.

Sem comida e sem saber se alguém o procuraria, ele começou a capturar peixes que dividiam o mesmo espaço para se alimentar. Wang contou depois que perdeu completamente a noção do tempo. Ele não sabia se era dia ou noite lá fora.

Enquanto isso, as equipes de resgate vasculhavam a região. Parentes e amigos já temiam o pior.

O sinal de luz que salvou uma vida

A operação de busca envolveu mergulhadores da polícia local, bombeiros e voluntários. Eles percorreram o sistema de cavernas por dias, mas as condições eram extremamente perigosas: água turva, passagens estreitas e correnteza.

Quando o caso já parecia perdido e a equipe pensava em encerrar as buscas, um dos mergulhadores enxergou um fraco feixe de luz vindo de uma fenda estreita. Era a lanterna de Wang.

Ele estava a 9 metros de profundidade, dentro da bolsa de ar, com o tanque já marcando apenas 4% de oxigênio restante. Segundos a mais e a história poderia ter sido outra.

Os socorristas conseguiram retirá-lo do local com vida. E, para espanto de todos, Wang saiu andando sozinho até a ambulância. Ele estava desidratado, fraco, mas consciente.

“Você tem um cigarro?”

Assim que os bombeiros o colocaram em segurança, Wang virou para eles e soltou a frase que virou manchete:

“Você tem um cigarro?”

A pergunta inesperada viralizou nas redes sociais e foi repercutida por veículos como o South China Morning Post, o O Globo e a DIVE Magazine. A frieza e o humor involuntário de Wang naquele momento extremo viraram símbolo da história.

Já no hospital e após exames, surpreendentemente, ele não teve ferimentos graves e recebeu alta poucos dias depois.

O litoral de São Paulo também é um dos grandes destinos de mergulho do Brasil. O Arquipélago de Alcatrazes, a 45 km da costa de São Sebastião, é um dos pontos mais procurados por mergulhadores do país.

No Porto de Santos, uma operação de R$ 8,6 milhões foi montada para reflutuar um navio histórico da Antártica, mostrando que resgates complexos também fazem parte da rotina da região.

Em 2025, uma baleia foi flagrada na costa de Ilhabela durante um mergulho para respirar, um lembrete de que o mundo subaquático guarda histórias impressionantes, algumas belas, outras de superação.

O que aprendemos com Wang

Especialistas em segurança de mergulho ouvidos pela imprensa chinesa destacam que o caso de Wang beira o milagroso. A combinação de um bolsão de ar respirável, presença de peixes para alimentação e a rápida mobilização das equipes de resgate criaram as condições para o final feliz.

Mas o principal ingrediente foi a resiliência de Wang. Ele disse aos jornalistas que, em nenhum momento, pensou em desistir.

“Eu queria viver.”

A história de Wang prova que, mesmo nos cenários mais desesperadores, o instinto de sobrevivência pode encontrar uma saída. E que, para alguns, um cigarro depois do resgate é a melhor forma de celebrar a vida.

*Fontes: South China Morning Post, O Globo, iG Último Segundo, DIVE Magazine, Israel Hayom, Correio 24 Horas e Sixth Tone.