Descoberta de embarcação monumental em Alexandria revela luxo, festas e rituais do Egito Antigo

Arqueólogos encontraram restos de um thalamegos, embarcação luxuosa usada em festas, procissões e rituais religiosos

Navio de cerca de 35 metros estava submerso no antigo porto da cidade e surpreendeu pelo estado de conservação

Navio de cerca de 35 metros estava submerso no antigo porto da cidade e surpreendeu pelo estado de conservação | (Foto: Nicolaes Witsen/ Wikimedia Commons)

A história do Egito Antigo é marcada por riqueza, poder e símbolos de luxo, e uma descoberta recente ajuda a ilustrar esse estilo de vida privilegiado.

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Arqueólogos localizaram, nas águas de Alexandria, os vestígios de um thalamegos, um tipo de embarcação monumental associado à elite da época.

Esses navios, usados entre os séculos I a.C. e I d.C., eram conhecidos por abrigar festas, banquetes e procissões religiosas.

Pelo tamanho e pela sofisticação, acabaram ganhando a fama de verdadeiros “palácios sobre a água”.

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A descoberta no fundo do mar

A operação foi conduzida pelo Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática, que investiga o antigo porto de Alexandria.

Durante as escavações, os pesquisadores encontraram os restos de uma dessas embarcações a cerca de oito metros de profundidade.

Apesar de séculos submerso, o navio estava em estado surpreendentemente preservado.

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A embarcação teria cerca de 35 metros de comprimento, e aproximadamente 28 metros da estrutura ainda puderam ser identificados.

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A madeira do casco também chamou atenção pelo bom estado de conservação.

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Além disso, os arqueólogos encontraram inscrições em grego antigo, que provavelmente serviam como instruções de montagem do navio.

Um barco feito para festas

O thalamegos tinha características bem específicas.

Seu fundo achatado indicava que ele era adequado apenas para águas rasas e não para longas viagens marítimas.

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Na prática, não era um navio de transporte comum, mas sim uma plataforma flutuante para eventos e cerimônias.

Relatos do geógrafo grego Estrabão descrevem essas embarcações cheias de pessoas tocando música, dançando e participando de grandes celebrações, o que reforça a ideia de que eram usadas em festas e banquetes da nobreza egípcia.

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Cleópatra, César e os rituais religiosos

Segundo registros históricos, foi em uma embarcação desse tipo que Cleópatra recebeu Júlio César em 47 a.C.

A escavação foi coordenada pelo arqueólogo francês Franck Goddio, que afirmou ao jornal The Guardian que o navio também pode ter tido funções religiosas.

O thalamegos foi encontrado próximo às ruínas do Templo de Ísis, deusa egípcia associada à fertilidade.

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Por isso, os pesquisadores acreditam que a embarcação pode ter sido usada em rituais e procissões dedicadas à divindade.

A descoberta ajuda a revelar como o luxo, a política e a religião se misturavam no cotidiano das elites do Egito Antigo, até mesmo sobre as águas.