Cenas de 2023 se repetem com famílias presas em engarrafamentos ou dormindo em carros após bombardeios / Reprodução/Wikimidia
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Uma corrida contra o tempo tomou conta do Líbano nesta segunda e terça-feira (2 e 3 de março). Milhares de civis fugiram de suas casas no sul e no leste do país após Israel intensificar os bombardeios aéreos e dar início a incursões terrestres em partes da fronteira.
As forças israelenses emitiram ordens de retirada para moradores de mais de vinte cidades no sul libanês, em uma escalada que já deixou pelo menos 40 mortos e cerca de 30 mil deslocados, segundo autoridades libanesas e a ONU.
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A nova onda de violência amplia o conflito que se espalhou pelo Oriente Médio desde o último sábado (28), quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, resultando na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
A retaliação iraniana atingiu bases americanas em países do Golfo, e o Hezbollah, grupo xiita libanês aliado de Teerã, entrou no confronto no domingo (1º) em vingança pelo assassinato de Khamenei.
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As equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) testemunham uma onda dramática de deslocamentos. Em meio a enormes congestionamentos nas estradas, pessoas fogem com poucos pertences, procurando desesperadamente abrigo.
"Eu acordei às 3 da manhã com ruídos aterrorizantes aos quais ninguém deveria estar acostumado", relatou Maryam Srour, profissional de MSF no Líbano, que teve de deixar sua casa em um subúrbio de Beirute durante a madrugada. "Foi quase idêntico ao que aconteceu há um ano e três meses: as pessoas fugindo sob ameaça de disparos. Houve muitas explosões, fogo, pessoas gritando".
O governo libanês informou que pelo menos 30 mil pessoas já buscaram abrigo em escolas e instalações da ONU, mas o número real deve ser maior, já que muitas dormem em carros ou estão presas em engarrafamentos.
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