Trump indica moderado para presidir o banco central dos EUA

O cargo é um dos mais poderosos do mundo, pois a política monetária americana tem influência direta na condução dos demais bancos centrais

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03 NOV 2017Por Folhapress00h30
Donald Trump indicou Jerome Powell como novo presidente do Federal ReserveDonald Trump indicou Jerome Powell como novo presidente do Federal ReserveFoto: Associated Press

O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou nesta quinta-feira (2) Jerome Powell como novo presidente do Fed (Federal Reserve), o banco central americano. O cargo é um dos mais poderosos do mundo, pois a política monetária americana tem influência direta na condução dos demais bancos centrais e, por consequência, na economia global.

A escolha agrada ao mercado, já que, Powell, 64, atualmente um dos diretores do Fed, deve dar continuidade ao aumento lento e gradual dos juros americanos, à medida que a economia do país cresce. Atualmente, as taxas estão na faixa de 1% a 1,25%.

Powell, cuja indicação ainda precisa ser confirmada pelo Senado, substituirá Janet Yellen, a primeira mulher a comandar o Fed.

É a primeira vez desde 1979 que um presidente dos EUA em início de governo não reconduz um chefe do banco central para um novo período no cargo. O mandato de Yellen se encerra em fevereiro.

A escolha deve impactar a economia brasileira, e positivamente, segundo analistas. Nos últimos dias, houve instabilidade na Bolsa e na cotação do dólar, na expectativa pelo anúncio. Isso porque se temia a indicação de nomes críticos à atual política monetária e favoráveis a um aperto mais forte nos juros.

"Estamos muito voláteis, para cima e para baixo. O anúncio de Powell dá uma acalmada nos mercados", diz Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.

Juros mais altos nos EUA tendem a atrair capitais para o país e tirar dinheiro de países emergentes, o que exerce pressão, por exemplo, na cotação do dólar no Brasil.

A nomeação indica que "não há uma guinada no cenário" americano, segundo Latif, o que deve diminuir a pressão cambial no Brasil.

A escolha de Trump também é um aceno para os republicanos, que pedem menos regulação nos mercados, algo a que Powell se mostra disposto a fazer.

"Mais regulamentação não é a melhor resposta para qualquer problema", disse Powell, em outubro.

Em breve discurso durante o anúncio, Powell declarou que a economia americana fez "progressos substanciais" desde a crise global e que o sistema financeiro do país está "muito mais forte e resiliente" do que antes.

Disse ainda que está pronto, como presidente do Fed, a trabalhar para responder a mudanças nos mercados.
Trump afirmou que a escolha "é mais um passo para restaurar as oportunidades econômicas ao povo americano".

"Ele [Powell] sabe o que é preciso fazer para nossa economia crescer, e o que impulsiona o sucesso do país: inovação, trabalho duro e os sonhos do povo americano", afirmou o presidente.