Trump diz que conselheiro caiu após vazamentos 'criminosos' da imprensa

O presidente dos EUA disse que Michael Flynn foi tratado 'de maneira muito injusta' pela mídia

Comentar
Compartilhar
16 FEV 2017Por Folhapress00h30
Donald Trump disse que seu conselheiro caiu após vazamentos 'criminosos' da imprensaFoto: Associated Press

O presidente Donald Trump tentou nesta quarta-feira (15) tirar o foco das revelações sobre os contatos de sua equipe com o governo russo durante a campanha eleitoral e disse que o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, caiu por causa dos vazamentos "criminosos" de informações para a imprensa.

Durante entrevista coletiva com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, Trump disse que Flynn foi tratado "de maneira muito injusta" pela mídia ("ou pelo que eu chamo de 'mídia falsa' em muitos casos", complementou o presidente, olhando para o visitante).

"Papeis têm sido vazados da inteligência, coisas têm sido vazadas. É uma ação criminal, um ato criminal, e já vinha acontecendo por um bom tempo antes de mim, mas agora está acontecendo mais", disse Trump.

Segundo ele, os funcionários que têm passado essas informações "estão tentando acobertar a terrível derrota que os democratas tiveram com Hillary Clinton".

Segundo o "New York Times", funcionários da inteligência americana teriam interceptado telefonemas de integrantes da equipe de campanha de Trump com membros do governo de Vladimir Putin antes das eleições, enquanto investigavam a possibilidade de a Rússia ter ligação com a ação de hackers contra o Comitê Nacional Democrata.

O governo Obama depois aplicaria sanções à Rússia, acusando o país de ter influenciado o resultado das eleições americanas, ao se coordenar com a ação de hackers que vazaram e-mails dos democratas antes do pleito.

Seriam essas as sanções sobre as quais Flynn teria conversado com o embaixador russo. A imprensa americana também havia divulgado, na última sexta (10), a descoberta dos serviços de inteligência de que o general havia pedido ao russo para não reagir de forma desproporcional antes que Trump chegasse à Casa Branca, porque ele poderia rever as sanções.

Mais cedo, em sua conta no Twitter, Trump já havia criticado os vazamentos. "O verdadeiro escândalo aqui é que informações confidenciais têm sido distribuídas ilegalmente pela nossa 'inteligência' como balas. Muito não americano!", escreveu.

Segundo informou a Casa Branca nesta terça-feira (14), Trump havia sido informado poucos dias após tomar posse que Flynn havia ocultado de seus superiores o conteúdo de suas conversas extraoficiais com autoridades russas.

A grande justificativa dada pela Casa Branca para a saída de Flynn não foi o conteúdo da conversa do general com o embaixador, mas sim o fato de eles aparentemente ter escondido do vice-presidente Mike Pence que falou sobre as sanções.

Em um conflito de versões sobre o caso, Trump havia dito a repórteres, na sexta-feira (10), que desconhecia a informação sobre o telefonema entre Flynn e o embaixador.

Na segunda-feira (13), contudo, o jornal "Washington Post" revelou que o Departamento de Justiça havia alertado a Casa Branca em janeiro que o general teria mentido e poderia estar vulnerável a chantagem por Moscou.

Após a publicação, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que Trump já avaliava a situação de Flynn "por algumas semanas".