Segundo estudo, cabras parecem conseguir distinguir emoção na voz humana

Os cientistas responsáveis pela pesquisa afirmam que já se sabe que animais de companhia, ou seja, os pets, conseguem identificar sinais emocionais humanos de diversas formas diferentes, como, por exemplo, pela voz

Os animais de rebanho, ou seja, aqueles criados como fonte de recursos para a humanidade, para prover leite ou carne, por exemplo, há menos informações

Os animais de rebanho, ou seja, aqueles criados como fonte de recursos para a humanidade, para prover leite ou carne, por exemplo, há menos informações | Thyago Jacob

As altamente vocais cabras parecem conseguir distinguir emoção na voz humana, segundo estudo publicado na última terça-feira (30), na revista Animal Behaviour.

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Os cientistas responsáveis pela pesquisa afirmam que já se sabe que animais de companhia, ou seja, os pets, conseguem identificar sinais emocionais humanos de diversas formas diferentes, como, por exemplo, pela voz.

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Já para os animais de rebanho, ou seja, aqueles criados como fonte de recursos para a humanidade, para prover leite ou carne, por exemplo, há menos informações.

Os pesquisadores afirmam que, exatamente pela proximidade com humanos associada a produtos, poderia ser esperada uma seleção mais fraca para discriminar e responder aos nossos sinais, ao contrário do que se vê em animais de companhia e trabalho.

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Mesmo assim, têm sido documentadas capacidades desse tipo, inclusive com níveis comparáveis a animais de companhia, em animais costumeiramente usados pela humanidade, a exemplo de porcos.

Por isso, os cientistas tentaram testar o potencial das cabras em identificar a emoção na voz humana, especialmente variações entre nervosismo e alegria.

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Para descobrir isso, os pesquisadores basicamente ficaram tocando reproduções da voz humana expressando uma valência positiva (feliz) ou negativa (brava). Sessões que duravam alguns poucos minutos foram feitas com 27 cabras, processo que ocorreu em vários dias.

Percebeu-se que, após serem repetidamente expostas a uma voz humana representando um mesmo “sentimento”, as cabras, segundo os cientistas, demonstraram habituação, basicamente, importando-se e reagindo menos à voz –como olhar menos para a fonte de som.

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Os autores do estudo também falam que, após esse período de habituação à voz, as cabras tinham menor probabilidade de olhar para a fonte de som. Mesmo após ser feita uma mudança no “sentimento” representado, as cabras tinham menor probabilidade de olhar, demonstrando a habituação.

Mas, ao mesmo tempo, as que olhavam para a fonte de som o faziam por mais tempo, “sugerindo que essas cabras perceberam a mudança no conteúdo emocional das reproduções de voz”.

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Segundo os cientistas, porém, essa atenção destinada para a mudança na valência da voz não se traduziu em alterações fisiológicas, como na frequência cardíaca das cabras.

“Em resumo, apresentamos aqui as primeiras evidências de que as cabras podem discriminar entre pistas expressas na voz humana, ou seja, valência emocional. Essas descobertas contribuem para a literatura limitada disponível que indica que animais de criação, assim como animais de estimação, são sensíveis às pistas emocionais humanas”, escrevem os autores do estudo.