Se fosse um país, Google seria 2º em receita publicitária

A receita publicitária do gigante americano de tecnologia em 2018 foi de US$ 116,3 bilhões, ante US$ 229,7 bilhões dos gastos totais com propaganda nos EUA

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06 SET 2019Por Folhapress23h30
Em março, a UE multara o Google em US$ 1,7 bilhão por práticas publicitárias consideradas "ilegais" em sua unidade AdSenseFoto: PhotoMIX Ltd./Pexels

Estudo comparativo com os gastos publicitários registrados nos maiores mercados nacionais, realizado pelo portal alemão de análise de dados Statista, mostra o resultado do Google atrás apenas dos próprios Estados Unidos.

A receita publicitária do gigante americano de tecnologia em 2018 foi de US$ 116,3 bilhões, ante US$ 229,7 bilhões dos gastos totais com propaganda nos EUA e US$ 87,1 bilhões no segundo mercado, a China.

"Apesar das muitas atividades em que se engaja hoje a holding Alphabet, a maior parte de sua receita ainda decorre do Google e de seus negócios de publicidade, que fizerem dele a maior empresa de venda de anúncios do mundo", escreve o Statista.

Em fevereiro, entre outras, a consultoria eMarketer projetou que o Google poderia perder participação no mercado publicitário digital nos EUA ao longo do ano, devido ao crescimento da Amazon, que ameaça também o Facebook.

Mas os resultados da Alphabet no segundo trimestre não confirmaram as previsões negativas. Depois de um primeiro trimestre desapontador, a receita de abril a junho apresentou um salto de 19% em relação ao mesmo período de 2018.

De maneira geral, os resultados das maiores empresas de tecnologia dos EUA no segundo trimestre foram positivas, inclusive Facebook e Amazon e até a Microsoft, a mais valorizada e que bateu seu recorde de receita trimestral.

Mas a sombra da Amazon se mantém. No mercado digital dos EUA, mais consumidores passaram a fazer suas buscas diretamente na plataforma de compras do que nas ferramentas de busca, setor em que o Google tem virtual monopólio.

De acordo com a consultoria Jumpshot, nas buscas relacionadas a produtos em 2018 nos EUA, 54% se deram diretamente na Amazon e 46% no Google, invertendo a posição que as duas plataformas apresentavam três anos antes.

O desafio vem agora também do crescente escrutínio antitruste, não só em países como a França mas no Reino Unido e nos próprios EUA, que anunciaram investigações sobre o duopólio publicitário de Google e Facebook.

A Autoridade de Concorrência e Mercados britânica e o Departamento de Justiça americano avaliam pontos como o controle de dados dos consumidores pelas plataformas e se seu domínio afetou financeiramente outras empresas de publicidade digital.

Em março, a União Europeia multara o Google em US$ 1,7 bilhão por práticas publicitárias consideradas "ilegais" em sua unidade AdSense. Nos últimos dois anos, no total, a UE já multou o Google em US$ 8 bilhões por supostas ações anticoncorrenciais.


*Por Nelson de Sá, da Folhapress

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