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Robô tropeça em 'cidade' secreta de peixes no fundo da Antártida e aumenta preocupação com o clima

O que era para ser a busca por um famoso navio naufragado revelou milhares de ninhos perfeitamente alinhados no mar mais hostil do planeta

Jeferson Marques

Publicado em 15/03/2026 às 13:02

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Robô Lassie ilumina ninhos no fundo do mar da Antártida / Imagem gerada por Inteligência Artificial

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O que era para ser apenas a busca pelos destroços de um lendário navio naufragado na Antártida se transformou em uma das descobertas biológicas mais surpreendentes dos últimos anos. Em um dos mares mais hostis e gélidos do planeta, robôs submarinos tropeçaram em uma verdadeira metrópole submersa com milhares de ninhos perfeitamente alinhados, provando que o abismo escuro esconde uma vida marinha complexa e fascinante.

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Missão

O cenário é o Mar de Weddell Ocidental, um verdadeiro pesadelo para a navegação por causa de sua espessa e eterna crosta de gelo. Foi lá que a Weddell Sea Expedition lançou o "Lassie", um robô de ponta capaz de mapear profundezas letais para humanos. O objetivo central era achar o histórico Endurance, do explorador Ernest Shackleton, mas as lentes capturaram algo muito mais vivo do que madeira afundada.

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Surpresa

No fundo do oceano, a equipe encontrou mais de mil ninhos estruturados de forma assustadoramente meticulosa. O pesquisador Russ Connelly relatou ao portal IFLScience que o achado gerou debates intensos a bordo, já que as "covinhas" na areia eram extremamente limpas, contrastando com o lodo verde ao redor. Os arquitetos dessa obra? Os peixes-do-gelo (Lindbergichthys nudifrons), uma espécie que domina a arte de sobreviver no frio extremo.

Estratégia

A arquitetura dessa colônia não é aleatória. Um estudo publicado na Frontiers in Marine Science explica que a organização segue a curiosa "teoria do rebanho egoísta". A cidade submersa funciona como uma fortaleza: os ninhos centrais ficam blindados contra predadores, enquanto as bordas são ocupadas exclusivamente pelos peixes maiores e mais fortes, que atuam como seguranças pesados da comunidade.

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Alerta

A descoberta derruba de vez o mito de que essa região antártica é um deserto sem vida, oferecendo dados cruciais para a preservação local. O achado ganha ainda mais peso diante das intensas mutações que o continente branco vem sofrendo: a Antártida passa por um inédito "verdejamento" e o nível de sua superfície está se elevando, fenômenos climáticos severos que, segundo os cientistas, devem impactar diretamente o Brasil e toda a nossa costa.

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