Remessas de imigrantes somam cerca de US$ 500 bilhões ao ano no mundo

A afirmação foi feita pelo diretor do Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola, da Organização das Nações Unidas, Adolfo Brizzi

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11 ABR 2017Por Agência Brasil00h30
Valores enviados por imigrantes aos países de origem podem representar até 50% da renda da famíliaValores enviados por imigrantes aos países de origem podem representar até 50% da renda da famíliaFoto: Divulgação/ONU

Enquanto questões relacionadas à imigração estão levando a grandes debates na Europa e ao redor do mundo, o "benefício de desenvolvimento" causado pelos cerca de US$ 500 bilhões que imigrantes enviam por ano a "países e famílias pobres" não pode ser subestimado. A afirmação foi feita pelo diretor do Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola (Fida), da Organização das Nações Unidas (ONU), Adolfo Brizzi, durante o evento "O Dinheiro Fala – Porque Migrantes São Importantes", realizado na Itália.

Segundo o Fida, há cerca de 250 milhões de imigrantes vivendo fora de seus países em todo o mundo. As estimativas são de que as remessas de dinheiro enviado por trabalhadores imigrantes a suas famílias em países mais pobres ajudem 750 milhões de pessoas. Juntando os que enviam e os que recebem, as remessas tocam diretamente as vidas de uma em cada sete pessoas no planeta. As informações são da ONU News.

Valores

De acordo com o Fida, a maioria da renda de um trabalhador migrante permanece no país em que ele atualmente reside. Apenas uma fração, normalmente em montantes de US$ 200 ou US$ 300, é enviada ao país de origem várias vezes ao ano. Embora esses valores pareçam baixos, eles podem representar até 50% ou mais da renda da família que está no país de origem do migrante.

Adicionando todos os bilhões de transações financeiras envolvidas, as remessas chegam a quase US$ 500 bihões, mais de três vezes os recursos de assistência oficial ao desenvolvimento de todas as fontes. Apesar da grande soma, o diretor do Fida disse acreditar que os benefícios às famílias nos países de origem poderiam ser muito maiores se os trabalhadores imigrantes tivessem acesso a mercados mais competitivos para transferência de dinheiro e serviços financeiros especializados que os ajudassem a economizar ou investir seus recursos.

Volta pra casa

Na última década, o Fida liderou mais de 50 programas para aumentar o impacto das remessas em zonas rurais em mais de 40 países em desenvolvimento. O objetivo das iniciativas é ajudar no fluxo dos fundos e dar às famílias mais opções para investir o dinheiro e criar oportunidades para o desenvolvimento de negócios e criação de empregos.

No evento na Itália, Brizzi lembrou que o dinheiro enviado pelos imigrantes representa um apoio fundamental a milhões de domicílios, ajudando família a aumentar seus padrões de vida acima dos níveis de subsistência e vulnerabilidade, e investindo em saúde, educação, habitação e atividades de empreendedorismo.

Ele mencionou as preocupações que se tem ouvido em relação a migrantes e refugiados entrando nos países, mas pediu que não se esqueça que o dinheiro que eles mandam de volta para casa, especialmente em países onde há conflitos e desastres ambientais, "ajuda a estabilizar as famílias e reconstruir as comunidades".