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Enquanto o cantor porto-riquenho dominava o palco oficial, Kid Rock liderou a transmissão clandestina que reuniu milhões de americanos em protesto ideológico
O protagonista dessa rebeldia foi Kid Rock / Reprodução/Youtube/Charlie Kirk
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Enquanto cerca de 135 milhões de pessoas estavam com os olhos fixos na NBC para acompanhar o fenômeno Bad Bunny e a estrela Lady Gaga, um "bunker" digital nos Estados Unidos operava uma transmissão que abalou as estruturas do entretenimento tradicional.
O protagonista dessa rebeldia foi Kid Rock, que aos 55 anos consolidou sua transição de pioneiro do rap-metal nos anos 90 para o posto de "Voz Oficial da América Profunda".
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No último domingo (08), ele não subiu ao palco da NFL, mas ao palco do All-American Halftime Show, um contra-evento organizado pela Turning Point USA (TPUSA).
A trajetória de Ritchie é uma das mais singulares da indústria fonográfica. Ele surgiu na cena hip-hop de Detroit, misturando batidas de rap com a estética do rock pesado em álbuns multiplatinados como Devil Without a Cause.
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No entanto, ao longo das décadas, operou uma metamorfose sonora e política: abandonou os toca-discos pelos solos de guitarra e trocou as festas da MTV pelos ranchos de Nashville.
Essa transição transformou o antigo rapper em um ícone do Southern Rock, permitindo que ele dialogue com diferentes gerações — dos velhos motociclistas aos jovens ativistas da "nova direita".
Hoje, ele é presença constante no Salão Oval e atua como um conselheiro informal para a base republicana.
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O objetivo era oferecer uma alternativa para os americanos que se sentiam "estrangeiros" na própria sala de estar ao ver o Super Bowl ser dominado por ritmos latinos e discursos progressistas.
Kid Rock não pretendia vencer a audiência total, mas sim sequestrar o tráfego conservador. Através de plataformas como Rumble e YouTube, ele reuniu entre 5 e 15 milhões de espectadores simultâneos — um número modesto para o Super Bowl, mas um verdadeiro exército para o mercado político.
"Nós não precisamos pedir permissão para celebrar a nossa cultura", disparou o roqueiro entre um gole de cerveja e um solo de guitarra, em um estúdio em Atlanta que mais parecia um comício patriótico do que um show de rock.
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O que tornou essa apresentação "exclusiva" e carregada de emoção foi o pano de fundo: a homenagem a Charlie Kirk, líder conservador assassinado em 2025. O show de Kid Rock transformou o intervalo comercial mais caro do mundo em um momento de luto e revolta para a base republicana.
Com fotos de Kirk no telão e um apelo messiânico para que os americanos "voltassem à Bíblia", Kid Rock entregou uma identidade ideológica pura, algo que o show comercial da NFL não pode oferecer.
Enquanto o mundo olhava para o Levi's Stadium, milhões de americanos decidiram que o verdadeiro show estava acontecendo em um estúdio fechado na Geórgia.
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Mais do que um simples evento musical, o show de Kid Rock em Atlanta funcionou como um poderoso termômetro da atual polarização nos Estados Unidos.
O sucesso da transmissão clandestina evidencia uma fratura profunda na sociedade americana, onde o entretenimento de massa já não consegue unir gregos e troianos.
Essa divisão de audiência — de um lado o espetáculo multicultural da NFL e de outro o nacionalismo de Kid Rock — é vista por analistas como um prenúncio do que deve acontecer nas eleições de midterm (meio de mandato).
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A mobilização fervorosa da base republicana em torno de ícones como Ritchie e a memória de Charlie Kirk sinaliza um eleitorado motivado e avesso ao mainstream, indicando que o resultado das urnas poderá ser tão dividido quanto o controle remoto dos americanos no último domingo.