Projeto faraônico e polêmico de quase R$ 250 bilhões promete salvar um lago gigante da seca; entenda

A megaobra bilionária prevê a transposição das águas da bacia do rio Congo para tentar ressuscitar um imenso lago que já perdeu grande parte do seu volume

Engenheiros propõem um grandioso projeto para salvar o Lago Chade por meio de um canal transcontinental / Reprodução/Youtube/Waka Droid Documentary

Às margens do vasto deserto do Saara, um ecossistema que outrora parecia infinito luta desesperadamente pela própria sobrevivência. Nas últimas décadas, a imensa região aquática africana perdeu cerca de noventa por cento de sua superfície original. 

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Por esse motivo, milhões de pessoas que dependem dessas águas correm sérios riscos de subsistência. 

Para reverter esse cenário devastador, engenheiros propõem um grandioso projeto para salvar o Lago Chade por meio de um canal transcontinental.

O local afetado estende-se diretamente pelos territórios do Chade, dos Camarões, da Nigéria e do Níger. 

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Como as águas desapareceram de maneira drástica, as comunidades locais que dependem intimamente da pesca, da agricultura e da pecuária tornaram-se extremamente vulneráveis e empobrecidas.

O ambicioso projeto para salvar o Lago Chade

Diante desse enorme problema ambiental, vários especialistas tentam ressuscitar um plano faraônico e quase irrealista conhecido mundialmente como Transaqua. 

O ousado projeto para salvar o Lago Chade consiste na criação de um grande canal com cerca de 2.400 quilômetros de extensão.

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Essa estrutura colossal transportaria a água abundante da bacia do rio Congo diretamente para a região afetada pela seca. Consequentemente, a iniciativa reporia grande parte do volume hídrico perdido e mudaria o destino econômico e social de toda uma região da África.

Essa ideia grandiosa de engenharia não é recente. Profissionais italianos conceberam a proposta original ainda na década de 1980. 

Contudo, a necessidade de uma intervenção radical ressurgiu com força total nos últimos anos devido à situação climática cada vez mais crítica enfrentada na região do Sahel.

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Custos bilionários e obstáculos estruturais

O custo total estimado para tirar a obra monumental do papel assusta os governos envolvidos. O valor atinge a marca de 43 bilhões de euros, quantia que representa aproximadamente R$ 250 bilhões na moeda brasileira atual. 

Esse montante financeiro gigantesco explica facilmente por que o Transaqua permaneceu apenas como um desenho no papel durante muitas décadas, sem nunca se transformar em um canteiro de obras verdadeiro.

Durante a década de 1960, a área aquática possuía cerca de 25 mil quilômetros quadrados. Posteriormente, o tamanho encolheu de forma alarmante. Hoje em dia, dezenas de milhões de habitantes vivem nos arredores e dependem dessa fonte natural para o sustento diário. 

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Quando a margem recua de forma contínua, a população perde muito mais do que a paisagem visual. 

Os empregos locais, as vilas históricas, as plantações comerciais e um modo de vida inteiro desaparecem na mesma proporção.

Visão de desenvolvimento e impasses ecológicos

Os grandes defensores do projeto para salvar o Lago Chade enxergam a infraestrutura como um corredor de desenvolvimento inédito, e não apenas como um simples duto de água. 

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Eles apresentam a obra complexa como um sistema que trará terras irrigadas, forte geração de energia hidrelétrica e uma hidrovia comercial para áreas sem nenhum acesso ao mar. 

Em outras palavras, a construção criaria uma nova e poderosa espinha dorsal para a economia da África Central.

O maior obstáculo para a execução final, no entanto, reside na dura realidade geopolítica. A República Democrática do Congo, território de onde a água seria extraída, não concordou oficialmente com a retirada dos seus recursos. 

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Além disso, as organizações mundiais apontam sérias preocupações ambientais sobre a operação física. 

O desvio forçado do curso da Bacia do Congo possui potencial para afetar gravemente um dos ecossistemas mais vitais do nosso planeta.

Por fim, surge a questão central sobre a futura administração do canal. Ainda não há uma definição exata sobre quem pagará a conta, quem tomará as decisões estratégicas e quem controlará a passagem hídrica em fronteiras tão delicadas. 

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Por ora, o Transaqua continua classificado como um dos planos mais audaciosos e perigosos já propostos para garantir a sobrevivência climática daquele continente. Entenda a situação assistindo ao documentário abaixo: