Na Groenlândia, moradores derretem gelo para banho enquanto potências mundiais disputam suas riquezas naturais; veja como vivem os 57 mil habitantes. / Reprodução/Wikimidia communs
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A Groenlândia, maior ilha do mundo, é um lugar de extremos. Cerca de 80% do território é coberto por gelo, e apenas 57 mil pessoas vivem espalhadas ao longo da costa.
Apesar do clima duro, a ilha desperta grande interesse por suas riquezas naturais e por sua posição estratégica. Desde 2019, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já declarou publicamente o desejo de comprar o território, que chamou de uma “maravilha imobiliária”.
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A ilha é uma região semiautônoma ligada à Dinamarca e enfrenta dificuldades econômicas. Quase metade do orçamento do governo vem de um subsídio anual de cerca de US$ 1 bilhão pago pelos dinamarqueses, valor que representa 20% do PIB local.
A economia depende quase totalmente da pesca: 98% da exportações são de frutos do mar, principalmente camarão. Esse setor, porém, sofre com as mudanças climáticas e a queda dos preços internacionais.
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Na capital, Nuuk, há restaurantes internacionais e até campo de golfe. Já em vilarejos mais isolados, moradores precisam derreter gelo para tomar banho e dependem de helicópteros para se deslocar. A Groenlândia é maior que o México, mas tem menos de 160 quilômetros de estradas asfaltadas.
Cerca de 40% dos trabalhadores atuam no setor público. O governo oferece saúde e educação gratuitas, seguindo o modelo da Dinamarca.
Mesmo assim, a economia cresce pouco. Em 2025, o crescimento foi de apenas 0,2%, e especialistas alertam para o enfraquecimento das contas públicas.
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Além do interesse econômico e político, a Groenlândia é importante para a ciência. Pesquisadores acreditam que novas descobertas podem mudar o que se sabe sobre a história da vida na Terra.
Expedições científicas enfrentam condições difíceis, com frio intenso, longas caminhadas e acampamentos ao ar livre sob o sol da meia-noite.
A Groenlândia tem reservas de minerais valiosos, como terras raras, urânio e petróleo. Apesar disso, explorar essas riquezas é difícil e caro.
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Hoje, há apenas uma mina em funcionamento. Qualquer novo projeto exigiria a construção de estradas, portos e até cidades em um ambiente extremo. Em 2021, o governo local proibiu a exploração de petróleo, gás e urânio.
Outras alternativas econômicas incluem o uso de energia hidrelétrica para atrair data centers e o turismo de aventura. Em alguns períodos do ano, há até voos diretos dos Estados Unidos para a capital.
Donald Trump afirmou que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, citando a possibilidade de influência da China ou da Rússia.
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A Dinamarca e o governo groenlandês rejeitam qualquer ideia de venda, e propostas informais discutidas não avançaram.
A Groenlândia busca maior autonomia de forma gradual, com apoio financeiro e investimentos da Dinamarca. Pesquisas indicam que a maioria da população é contra uma união com os EUA, por receio de perder benefícios sociais.
O território segue tentando conciliar desenvolvimento, identidade própria e autonomia em um ambiente extremo.
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