Por que a Nasa está atrás de um asteroide que vale mais que todo o dinheiro do mundo?

Sonda espacial viaja em direção a um corpo celeste metálico avaliado em dez quintilhões de dólares em busca de respostas sobre a origem da Terra

O alvo da atual missão da Nasa é o asteroide Psyche / Maxar/ASU/P. Rubin/NASA/JPL-Caltech

A quantidade de dinheiro físico circulando no mundo atualmente gira em torno de 118 trilhões de dólares. Mesmo se somarmos todos os investimentos globais, o mercado de ações e os derivativos, o valor total da Terra não chega nem perto da riqueza que orbita o nosso Sistema Solar. 

O alvo da atual missão da Nasa é o asteroide Psyche, um corpo celeste rochoso composto por tantos metais preciosos que a sua avaliação estimada bate a marca impressionante de 10 quintilhões de dólares. Contudo, a verdadeira motivação da agência espacial passa bem longe do mercado financeiro.

O verdadeiro tesouro é a ciência, não o ouro

A espaçonave foi lançada em outubro de 2023 com um objetivo puramente científico e histórico. 

A comunidade astronômica suspeita que o asteroide seja, na verdade, o núcleo exposto de ferro e de níquel de um planeta que não conseguiu se formar completamente, tendo sido destruído por fortes colisões há bilhões de anos.

Como o núcleo do nosso próprio planeta é inacessível para uma exploração humana direta, o asteroide funciona como uma janela perfeita para o passado. 

A agência espacial americana espera que o estudo desse material revele informações vitais sobre os primórdios do Sistema Solar, ajudando a explicar os motivos e a estrutura que permitiram à Terra gerar vida.

A jornada da sonda

Para chegar ao Cinturão de Asteroides, localizado três vezes mais distante do Sol do que a Terra, entre os planetas Marte e Júpiter, a sonda realiza atualmente um sobrevoo muito próximo da superfície marciana. 

Passando a apenas 4.500 quilômetros do planeta vermelho e viajando a quase 20 mil quilômetros por hora, a espaçonave utiliza a gravidade de Marte como uma espécie de estilingue para ganhar ainda mais velocidade.

Durante essa manobra, as câmeras de alta resolução aproveitam para registrar a paisagem. 

O líder da equipe de imagens da Universidade Estadual do Arizona, Jim Bell, explicou que a aproximação pelo lado noturno cria uma iluminação em formato de crescente que permite aos operadores ajustarem os instrumentos com precisão, rendendo também fotografias belíssimas do espaço para o público. 

A chegada definitiva ao destino metálico está marcada apenas para agosto de 2029, quando a sonda passará 26 meses orbitando e coletando dados estruturais e magnéticos.

O mito dos 10 quintilhões de dólares

Descoberto em 1852 e batizado em homenagem à deusa grega da alma, o asteroide em formato de batata é único no universo conhecido por ter até 60% de sua composição formada por metais, incluindo possíveis traços abundantes de ouro e de platina. 

Foi justamente esse detalhe que gerou a estimativa financeira absurda que supera todos os ativos terrestres somados.

Para ilustrar a dimensão colossal desse valor, pesquisadores calculam que a quantia seria suficiente para comprar um carro de luxo para cada habitante da Terra e, logo em seguida, trocá-lo por um modelo novo a cada hora, ininterruptamente, durante um ano e meio antes que o dinheiro acabasse.

Apesar da empolgação gerada na internet, a líder da missão espacial, Lindy Elkins-Tanton, já esclareceu de forma bem-humorada que a cifra bilionária é completamente ilusória. 

A pesquisadora pontuou que trazer todo esse material pesado para o nosso planeta seria uma tarefa de logística atualmente inconcebível. 

Além disso, o despejo dessa quantidade massiva de metal no mercado global faria com que o valor de todos esses materiais despencasse imediatamente devido ao excesso de oferta, o que inviabiliza qualquer sonho de riqueza gerado pela mineração espacial.