Uma expedição científica realizada em uma área praticamente inexplorada de Angola revelou dezenas de espécies até então desconhecidas pela ciência.
Entre as descobertas mais curiosas está uma aranha que emite um brilho azul sob luz ultravioleta, além de novos gafanhotos, libélulas e borboletas.
Aranhas na África
Em resumo, a pesquisa ocorreu em fevereiro deste ano no Planalto de Lisima, uma região remota localizada no leste do país africano.
O levantamento foi conduzido por uma equipe internacional formada por 16 especialistas, dentro do projeto Cassai Life Atlas, coordenado pela organização The Wilderness Project.
Os cientistas identificaram oito novas espécies de libélulas, três novas espécies de gafanhotos e aproximadamente 60 espécies de mariposas e borboletas que podem ser inéditas para a ciência. Mais de mil exemplares de borboletas e mariposas foram catalogados durante a expedição.
Entre os achados que mais chamaram a atenção está uma espécie ainda não descrita de aranha-caranguejo coroada, capaz de emitir um brilho azul quando exposta à luz ultravioleta.
Outra possível novidade é uma aranha conhecida como “ladybird orb-web”, que imita a aparência de joaninhas para afastar predadores.
Outras espécies
Além dos insetos e aracnídeos, a equipe registrou 47 espécies de anfíbios e répteis, incluindo serpentes raras e diversas espécies de sapos que vivem em áreas alagadas da região. Os pesquisadores também encontraram morcegos e seus parasitas em cavernas do planalto.
Segundo os cientistas, o Planalto de Lisima permaneceu pouco estudado durante décadas devido ao isolamento geográfico, à presença de minas terrestres deixadas pela guerra civil angolana e à dificuldade de acesso.
A região tem grande importância ecológica, pois abastece as nascentes de quatro dos principais sistemas fluviais da África: Congo, Okavango, Zambeze e Cuanza.
Os pesquisadores destacam que o objetivo vai além da descoberta de novas espécies. A principal preocupação agora é garantir a preservação desses habitats, considerados fundamentais para a biodiversidade africana e para o abastecimento de água de milhões de pessoas que vivem rio abaixo.
As descobertas reforçam a importância da região como uma das últimas grandes fronteiras da biodiversidade ainda pouco conhecidas pela ciência no continente africano.
