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O calçado de 3.300 anos encontrado em tumba traz prisioneiros asiáticos e africanos nas palmilhas; novos estudos contestam tese de que faraó era manco
As sandálias de Tutancâmon revelam como a indumentária fundia moda e estratégia geopolítica / Reprodução/Redes Sociais
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Descobertas na histórica expedição de Howard Carter em 1922, as sandálias de Tutancâmon revelam como a indumentária da realeza egípcia fundia moda e estratégia geopolítica. O par, datado de aproximadamente 1330 a.C., possui um detalhe singular: as palmilhas exibem ilustrações de asiáticos e africanos, os inimigos tradicionais do Estado, retratados como prisioneiros com braços amarrados.
Segundo egiptólogos, o design buscava tornar tangível a supremacia do monarca que, ao caminhar, esmagava simbolicamente os adversários sob seus pés, reafirmando a ordem e a autoridade do Egito a cada passo.
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Ao todo, cerca de 80 calçados foram encontrados na tumba KV62, variando de modelos simples de papiro para o cotidiano até peças de ouro maciço exclusivas para o sepultamento. O par de couro com prisioneiros destaca-se pelo trabalho em mosaico e pela presença dos "Nove Arcos", símbolo da totalidade dos rivais estrangeiros.
Embora versões anteriores da história sugerissem que o faraó possuía dificuldades de locomoção, o arqueólogo Bob Brier aponta em estudos recentes que os calçados de Tutancâmon não apresentam desgaste assimétrico, o que coloca em dúvida a teoria de que o "rei menino" seria coxo ou manco.
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Atualmente preservadas no Museu Egípcio, no Cairo, as sandálias são vistas por especialistas como objetos de "magia simpática" e proteção. Acredita-se que as imagens serviam como um lembrete visual constante da força do soberano perante seus súditos e potenciais desafiadores.
Mesmo que o significado exato não tenha sido registrado em textos da época, a peça permanece como um dos testemunhos mais vívidos de como o Egito Antigo utilizava acessórios pessoais para projetar uma imagem de invencibilidade, tanto no mundo dos vivos quanto na eternidade.