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Pequenos detalhes nas sandálias de Tutancâmon revelam como o rei humilhava inimigos

O calçado de 3.300 anos encontrado em tumba traz prisioneiros asiáticos e africanos nas palmilhas; novos estudos contestam tese de que faraó era manco

Giovanna Camiotto

Publicado em 09/02/2026 às 22:30

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As sandálias de Tutancâmon revelam como a indumentária fundia moda e estratégia geopolítica / Reprodução/Redes Sociais

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Descobertas na histórica expedição de Howard Carter em 1922, as sandálias de Tutancâmon revelam como a indumentária da realeza egípcia fundia moda e estratégia geopolítica. O par, datado de aproximadamente 1330 a.C., possui um detalhe singular: as palmilhas exibem ilustrações de asiáticos e africanos, os inimigos tradicionais do Estado, retratados como prisioneiros com braços amarrados.

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Segundo egiptólogos, o design buscava tornar tangível a supremacia do monarca que, ao caminhar, esmagava simbolicamente os adversários sob seus pés, reafirmando a ordem e a autoridade do Egito a cada passo.

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Ao todo, cerca de 80 calçados foram encontrados na tumba KV62, variando de modelos simples de papiro para o cotidiano até peças de ouro maciço exclusivas para o sepultamento. O par de couro com prisioneiros destaca-se pelo trabalho em mosaico e pela presença dos "Nove Arcos", símbolo da totalidade dos rivais estrangeiros.

Embora versões anteriores da história sugerissem que o faraó possuía dificuldades de locomoção, o arqueólogo Bob Brier aponta em estudos recentes que os calçados de Tutancâmon não apresentam desgaste assimétrico, o que coloca em dúvida a teoria de que o "rei menino" seria coxo ou manco.

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As sandálias de couro de Tutancâmon traziam desenhos de prisioneiros asiáticos e africanos em suas palmilhas. O objetivo era garantir que o faraó estivesse literalmente pisando em seus inimigos tradicionais a cada passo dado, reforçando sua soberania absoluta/Unsplash
As sandálias de couro de Tutancâmon traziam desenhos de prisioneiros asiáticos e africanos em suas palmilhas. O objetivo era garantir que o faraó estivesse literalmente pisando em seus inimigos tradicionais a cada passo dado, reforçando sua soberania absoluta/Unsplash
Além das figuras de prisioneiros, o calçado exibe os Nove Arcos, símbolo que representava a totalidade dos rivais do Egito. Feitas de madeira, couro e ouro, as sandálias eram ferramentas de propaganda política usadas para projetar uma imagem de invencibilidade/Unsplash
Além das figuras de prisioneiros, o calçado exibe os Nove Arcos, símbolo que representava a totalidade dos rivais do Egito. Feitas de madeira, couro e ouro, as sandálias eram ferramentas de propaganda política usadas para projetar uma imagem de invencibilidade/Unsplash
Embora teorias antigas sugerissem que Tutancâmon era manco, estudos recentes de Bob Brier mostram que seus calçados não possuem desgaste assimétrico. Isso coloca em dúvida a tese de problemas físicos e sugere que o rei tinha uma locomoção normal/Unsplash
Embora teorias antigas sugerissem que Tutancâmon era manco, estudos recentes de Bob Brier mostram que seus calçados não possuem desgaste assimétrico. Isso coloca em dúvida a tese de problemas físicos e sugere que o rei tinha uma locomoção normal/Unsplash
Mais de 80 calçados foram achados na tumba KV62, variando de modelos simples de papiro a peças de ouro maciço. Enquanto o ouro era reservado para o sepultamento, as sandálias com gravuras de inimigos tinham a função de proteção mágica no além-vida/Unsplash
Mais de 80 calçados foram achados na tumba KV62, variando de modelos simples de papiro a peças de ouro maciço. Enquanto o ouro era reservado para o sepultamento, as sandálias com gravuras de inimigos tinham a função de proteção mágica no além-vida/Unsplash
O trabalho em mosaico nas sandálias do faraó é um dos testemunhos mais vívidos do Novo Império. A peça unia luxo e estratégia, transformando um objeto cotidiano em uma declaração de força contra os povos vizinhos que desafiavam as fronteiras egípcias/Unsplash
O trabalho em mosaico nas sandálias do faraó é um dos testemunhos mais vívidos do Novo Império. A peça unia luxo e estratégia, transformando um objeto cotidiano em uma declaração de força contra os povos vizinhos que desafiavam as fronteiras egípcias/Unsplash

Atualmente preservadas no Museu Egípcio, no Cairo, as sandálias são vistas por especialistas como objetos de "magia simpática" e proteção. Acredita-se que as imagens serviam como um lembrete visual constante da força do soberano perante seus súditos e potenciais desafiadores.

Mesmo que o significado exato não tenha sido registrado em textos da época, a peça permanece como um dos testemunhos mais vívidos de como o Egito Antigo utilizava acessórios pessoais para projetar uma imagem de invencibilidade, tanto no mundo dos vivos quanto na eternidade.

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