Para os moradores do litoral paulista que apreciam a vida marinha, um comportamento intrigante das baleias começa a ser desvendado de maneira curiosa. Especialistas estão utilizando fotografias e vídeos publicados por turistas nas redes sociais para entender por qual motivo as jubartes costumam ficar paradas na água com a boca totalmente aberta.
A atitude é considerada rara, não possui uma motivação clara e intriga a comunidade científica, sendo conhecida no meio acadêmico como gaping.
A princípio, a posição chama a atenção dos biólogos porque exige do animal um gasto de energia muito maior do que o seu estado normal de repouso.
Além disso, permanecer paralisado dessa maneira não traz nenhum benefício fisiológico evidente e não configura uma tentativa de capturar pequenos peixes ou crustáceos para alimentação.
O poder das redes sociais na pesquisa

De fato, a baixa frequência desse evento nos oceanos dificulta bastante o acompanhamento presencial dos estudiosos.
Por outro lado, o crescimento contínuo do turismo ambiental e a facilidade de acesso às câmeras modernas transformaram os visitantes em verdadeiros aliados da biologia.
Diversas pessoas acabam registrando situações que julgam inusitadas nos mares e, mesmo sem possuir foco na pesquisa científica, produzem um acervo visual de altíssimo valor para os projetos de conservação.
Com o propósito de explorar esse vasto material espontâneo, uma nova pesquisa decidiu analisar o fenômeno realizando buscas com palavras estratégicas em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, X e Bluesky.
A varredura virtual resultou na identificação de sessenta e seis casos do comportamento peculiar espalhados pelo mundo inteiro.
Os arquivos encontrados englobam gravações feitas a partir de barcos, imagens aéreas de drones e até registros de atividades de natação próximas aos imensos mamíferos.
Padrões de comportamento
O banco de dados elaborado pela equipe abrange postagens publicadas entre os anos de 2014 e 2025.
O conteúdo catalogado exibe a posição de boca aberta tanto acima quanto abaixo da superfície da água, envolvendo a participação de filhotes, animais na fase juvenil e cetáceos completamente adultos.
Desse modo, o agrupamento de todas essas mídias em um volume expressivo permitiu que os especialistas encontrassem padrões cruciais sobre as jubartes.
Por conseguinte, os pesquisadores notaram que as baleias assumiam essa postura sempre que não havia comida por perto, mas identificaram a presença constante de outras companheiras da mesma espécie nos arredores da ação.
O estudo foi publicado oficialmente na revista científica Animal Behavior and Cognition e propõe algumas teorias inéditas para explicar o fenômeno.
A equipe levanta a hipótese de que a ação possa funcionar como uma forma de comunicação visual, um alongamento muscular ou apenas um momento de brincadeira no oceano.
A autora principal da pesquisa, Vanessa Pirotta, explicou que a comunidade científica frequentemente percebe que ainda desconhece muito sobre a rotina da espécie.
A especialista ressaltou que os operadores de turismo e os cidadãos comuns passam horas admirando a fauna aquática, consolidando a tecnologia de alta qualidade que o público carrega à disposição como um recurso essencial para relatar atitudes raras desses gigantes marinhos.
