Leito seco do lago está repleto de algas mortas, sal e destroços de navios abandonados / Gilad Rom / Wikimedia Commons
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Caminhar por um deserto escaldante e encontrar grandes embarcações enferrujadas presas na areia parece cena de filme. No entanto, essa é a realidade do antigo Mar de Aral, localizado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão. O local que antes abrigava águas profundas hoje exibe cascos de navios afundados no nada.
O governo soviético iniciou na década de 1930 um plano ambicioso para transformar a região em um polo de algodão. Para isso, os engenheiros desviaram os rios Amu Dária e Syr Dária, que alimentavam o grande lago. Eles construÃram milhares de quilômetros de canais para irrigar as plantações no meio do cenário desértico.
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Infelizmente, a estrutura precária desses canais causou um desperdÃcio imenso de recursos hÃdricos. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura estima que até 60% da água se perdia por vazamentos ou evaporação. Consequentemente, o nÃvel do mar começou a baixar drasticamente a partir de 1961.
A queda constante no volume de água transformou o ecossistema em um ambiente hostil para a vida. A salinidade subiu tanto que superou em três vezes o Ãndice dos oceanos, matando todas as espécies nativas. Além disso, a próspera indústria pesqueira local colapsou, forçando milhares de trabalhadores a abandonarem suas casas.
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Com o tempo, o antigo leito do mar se transformou no deserto de Aralkum, um dos mais jovens do mundo. Esse novo cenário é composto por uma mistura perigosa de areia, sais e resÃduos quÃmicos da agricultura intensiva. Atualmente, o clima regional sofre com a perda do regulador natural que amenizava as temperaturas extremas.
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Apesar do cenário apocalÃptico, existe um esforço contÃnuo para minimizar os danos ambientais. O Cazaquistão lidera o chamado Projeto Oasis, que busca restaurar parte da vegetação original. Os integrantes plantam arbustos conhecidos como saxauls negros em áreas estratégicas para barrar a erosão do solo.
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Essa planta nativa consegue sobreviver em condições extremas e ajuda a tornar o terreno menos árido. O projeto atua em uma área de 500 hectares e tenta conter as tempestades de poeira. Assim, a iniciativa busca proteger a saúde das comunidades vizinhas e enfrentar as mudanças climáticas de forma prática.