Tecnologia SAFS permite que engenheiros vejam fenômenos invisÃveis a olho nu e melhorem projetos aeronáuticos / Divulgação/Nasa
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Uma nova tecnologia desenvolvida no Centro de Pesquisa Langley, da NASA, está transformando a forma como engenheiros visualizam o escoamento do ar em testes aeronáuticos e espaciais.
Batizado de Self-Aligned Focusing Schlieren (SAFS) , o sistema foi criado por Brett Bathel e Joshua Weisberger e recebeu o prêmio Government Invention of the Year 2025, concedido às inovações de maior impacto dentro da agência.
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A novidade resolve um problema antigo da engenharia: tornar visíveis as variações de densidade no ar, essenciais para estudar ondas de choque, turbulência e outros fenômenos que afetam o desempenho de aviões, foguetes e veículos hipersônicos.
Embora o ar não possa ser visto a olho nu, pequenas mudanças em sua densidade desviam a luz, permitindo registrar o comportamento do escoamento. Essa base física não é nova: o método schlieren existe desde o século XIX, mas sempre exigiu montagens delicadas, sensíveis e demoradas.
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Os sistemas tradicionais dependiam de alinhamento óptico extremamente preciso, com componentes instalados em lados opostos da região observada. Qualquer vibração ou ajuste indevido podia comprometer a leitura, aumentando o tempo de preparação e reduzindo a disponibilidade dos túneis de vento.
Foi nesse cenário que o SAFS surgiu em 2020. Em vez de depender do alinhamento minucioso de grades separadas, o sistema utiliza polarização da luz e uma arquitetura autoalinhada, tornando a montagem mais compacta e estável.
O ganho é imediato: o que antes levava semanas de ajustes passou a ser preparado em minutos, com possibilidade de alterar sensibilidade, campo de visão e foco sem desmontar todo o aparato. Além disso, o sistema exige acesso a apenas um lado do objeto ensaiado, ampliando suas aplicações.
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A tecnologia também melhora a qualidade das imagens, reduzindo artefatos causados por camadas-limite do túnel, ondas de choque fora do plano de interesse e variações térmicas. Isso ajuda pesquisadores a separar o fenômeno estudado do ruído da medição.
O SAFS já vem sendo empregado para observar separação de fluxo no High Lift Common Research Model e investigar estruturas de choque no modelo do Space Launch System (SLS) , ampliando a capacidade de análise em experimentos de alto custo.
O impacto extrapolou a NASA: a tecnologia foi adotada por mais de 50 instituições em mais de oito países, com versões comerciais chegando ao mercado. O SAFS também entrou na lista do R&D 100 Awards de 2025, reconhecimento internacional para inovações científicas.
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Segundo Brett Bathel, o avanço produz um "efeito cascata": permitir que pesquisadores vejam o movimento do ar de formas antes inacessíveis tende a resultar em projetos de aeronaves melhores e voos mais seguros.
Mais do que substituir um arranjo óptico antigo, o SAFS representa uma mudança de lógica na instrumentação: simplifica a montagem e aumenta a flexibilidade, algo essencial para a engenharia aeronáutica, onde tempo de túnel e qualidade dos dados definem o ritmo do desenvolvimento.
A nova câmera se insere em uma agenda mais ampla da NASA voltada a ferramentas que acelerem a validação experimental e o aprimoramento de conceitos para a aviação e missões espaciais.
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