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NASA cria tecnologia que 'fotografa' o ar e revoluciona engenharia aeronáutica

Sistema SAFS usa polarização da luz para tornar visíveis ondas de choque e turbulência sem montagens complexas

Nathalia Alves

Publicado em 10/03/2026 às 14:50

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Tecnologia SAFS permite que engenheiros vejam fenômenos invisíveis a olho nu e melhorem projetos aeronáuticos / Divulgação/Nasa

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Uma nova tecnologia desenvolvida no Centro de Pesquisa Langley, da NASA, está transformando a forma como engenheiros visualizam o escoamento do ar em testes aeronáuticos e espaciais.

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Batizado de Self-Aligned Focusing Schlieren (SAFS) , o sistema foi criado por Brett Bathel e Joshua Weisberger e recebeu o prêmio Government Invention of the Year 2025, concedido às inovações de maior impacto dentro da agência.

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A novidade resolve um problema antigo da engenharia: tornar visíveis as variações de densidade no ar, essenciais para estudar ondas de choque, turbulência e outros fenômenos que afetam o desempenho de aviões, foguetes e veículos hipersônicos.

Embora o ar não possa ser visto a olho nu, pequenas mudanças em sua densidade desviam a luz, permitindo registrar o comportamento do escoamento. Essa base física não é nova: o método schlieren existe desde o século XIX, mas sempre exigiu montagens delicadas, sensíveis e demoradas.

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Os sistemas tradicionais dependiam de alinhamento óptico extremamente preciso, com componentes instalados em lados opostos da região observada. Qualquer vibração ou ajuste indevido podia comprometer a leitura, aumentando o tempo de preparação e reduzindo a disponibilidade dos túneis de vento.

SAFS

Foi nesse cenário que o SAFS surgiu em 2020. Em vez de depender do alinhamento minucioso de grades separadas, o sistema utiliza polarização da luz e uma arquitetura autoalinhada, tornando a montagem mais compacta e estável.

O ganho é imediato: o que antes levava semanas de ajustes passou a ser preparado em minutos, com possibilidade de alterar sensibilidade, campo de visão e foco sem desmontar todo o aparato. Além disso, o sistema exige acesso a apenas um lado do objeto ensaiado, ampliando suas aplicações.

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Imagens mais nítidas e menos ruído

A tecnologia também melhora a qualidade das imagens, reduzindo artefatos causados por camadas-limite do túnel, ondas de choque fora do plano de interesse e variações térmicas. Isso ajuda pesquisadores a separar o fenômeno estudado do ruído da medição.

O SAFS já vem sendo empregado para observar separação de fluxo no High Lift Common Research Model e investigar estruturas de choque no modelo do Space Launch System (SLS) , ampliando a capacidade de análise em experimentos de alto custo.

O impacto extrapolou a NASA: a tecnologia foi adotada por mais de 50 instituições em mais de oito países, com versões comerciais chegando ao mercado. O SAFS também entrou na lista do R&D 100 Awards de 2025, reconhecimento internacional para inovações científicas.

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"Efeito cascata" na engenharia

Segundo Brett Bathel, o avanço produz um "efeito cascata": permitir que pesquisadores vejam o movimento do ar de formas antes inacessíveis tende a resultar em projetos de aeronaves melhores e voos mais seguros.

Mais do que substituir um arranjo óptico antigo, o SAFS representa uma mudança de lógica na instrumentação: simplifica a montagem e aumenta a flexibilidade, algo essencial para a engenharia aeronáutica, onde tempo de túnel e qualidade dos dados definem o ritmo do desenvolvimento.

A nova câmera se insere em uma agenda mais ampla da NASA voltada a ferramentas que acelerem a validação experimental e o aprimoramento de conceitos para a aviação e missões espaciais.
 

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