Uma gigantesca massa de água excepcionalmente quente está avançando pelo Oceano Pacífico rumo à América do Sul. Cientistas da NOAA (agência de clima dos Estados Unidos) comparam o atual cenário ao El Niño de 1997, um dos mais destrutivos do século passado. O que muda para você? Chuvas torrenciais, secas extremas, calor recorde e queimadas intensas, dependendo de onde você mora no Brasil, além de efeitos nos supermercados, com a falta de alimentos ou preços astronômicos.
A chamada Onda Kelvin começou sua jornada há meses nas profundezas do oceano, perto da Indonésia, e atravessou milhares de quilômetros sob a superfície do Pacífico. Agora ela emerge na costa Oeste da América do Sul, junto aos litorais do Peru e do Equador. Os números revelam a gravidade: em partes do oceano profundo, as temperaturas estão 8°C acima da média histórica, um valor impressionante para o oceano que normalmente varia muito lentamente.
O que muda em cada região do Brasil
Não há dois El Niños iguais, e os impactos variam bastante conforme a região. No Norte, especialmente na Amazônia, espera-se diminuição acentuada de chuvas. O resultado é mais seco, mais quente e perfeito para propagação de queimadas. No Nordeste, a situação fica crítica: a redução de precipitações compromete o abastecimento de água e destrói a agricultura da região.
No Sul do Brasil, o padrão inverte completamente. Espera-se aumento significativo de chuvas, maior frequência de temporais e até ciclones intensos. O Sudeste enfrenta principalmente aumento de temperaturas, com períodos mais quentes que o normal. O Centro-Oeste fica em uma zona intermediária: temperaturas elevadas e aumento de queimadas no Pantanal.
Quando a tempestade chega
Os dados mostram que estamos na fase inicial. Em maio de 2026, a anomalia de temperatura superficial do Pacífico Equatorial já marcava +0,9ºC. Comparando com 1997, quando essa mesma anomalia estava em apenas +0,3ºC, o cenário atual avança mais rapidamente. Especialistas alertam que o evento pode intensificar durante o segundo semestre deste ano, com impactos globais e regionais significativos.
A boa notícia? Temos tempo para se preparar. A má notícia é que os oceanos globais já estão mais quentes devido às mudanças climáticas. Um El Niño forte atuando sobre uma atmosfera já carregada de calor pode amplificar extremos meteorológicos de forma nunca vista.
Fontes pesquisadas:
- MetSul Meteorologia
- NOAA
- Estael Sias, MSc.
