O resultado de um povo farto do isolamento / Wikipedia Commons
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Imagine viver em uma vila isolada a 1.700 metros de altitude, onde o único acesso é uma escada de pedra vertical e perigosa. Essa era a realidade de Guoliang, na China, até que treze moradores decidiram agir por conta própria.
Entre 1972 e 1977, esse pequeno grupo de agricultores enfrentou o calcário das montanhas Taihang sem qualquer maquinário pesado. Eles criaram um túnel de 1.200 metros que hoje é considerado um milagre da engenharia popular.
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Atualmente, o local atrai milhões de turistas curiosos para ver de perto as famosas janelas naturais abertas no precipício. Além disso, a obra permitiu que a vila saísse da extrema pobreza e se tornasse um ícone global.
Antes da estrada, a conexão com o mundo era a "Escada do Céu" (Tianti), uma rota com 720 degraus irregulares esculpidos há séculos. Essa trilha primitiva impunha limites severos à economia e à sobrevivência local.
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Por causa da subida íngreme, os animais criados na vila não podiam passar de 60 quilos. Caso contrário, ficava impossível carregá-los nas costas até o mercado. Isso forçava vendas antecipadas e gerava prejuízo constante.
Além do prejuízo financeiro, o isolamento custava vidas humanas em casos de emergência médica. Eram necessários oito homens para descer uma maca pela escada em um trajeto angustiante de quatro horas até o hospital.
Como o governo considerava a obra inviável, os moradores decidiram financiar tudo sozinhos em 1972. Eles venderam cabras e ervas medicinais para comprar martelos e brocas, iniciando então uma tarefa realmente titânica.
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A equipe liderada por Shen Mingxin enfrentou a rocha quartzítica usando apenas a força bruta. Ao longo de cinco anos, os trabalhadores consumiram 4.000 martelos e 12 toneladas de aço para avançar o caminho centímetro a centímetro.
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Com efeito, o progresso era extremamente lento devido à dureza da montanha. Em certas partes, os treze agricultores avançavam apenas um metro a cada três dias, demonstrando uma determinação que desafiava toda a lógica.
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Os moradores não planejaram as aberturas por estética, mas sim por uma necessidade prática de engenharia local. No entanto, essas fendas irregulares hoje encantam os fotógrafos de todo o mundo que visitam o túnel.
Primeiramente, as janelas serviam para o descarte rápido do entulho gerado na escavação. Sem elas, seria impossível remover toneladas de pedra manualmente de dentro de um corredor tão longo e sem nenhuma iluminação elétrica.
Além de facilitar a limpeza, as aberturas garantiam a ventilação vital para os trabalhadores. Isso ajudava a dispersar a poeira tóxica da rocha e trazia luz natural, tornando o ambiente de trabalho um pouco menos insalubre.
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A conclusão da obra em 1977 mudou para sempre a vida em Guoliang, reduzindo o tempo de acesso médico. Posteriormente, a beleza dramática do local chamou a atenção de cineastas, gerando assim um novo ciclo econômico na região.