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Mistério sobre desaparecimento dos maias ganha nova explicação e surpreende arqueólogos

Ideias que pareciam consolidadas, como o tamanho da população nas terras baixas e o nível de integração entre cidades e áreas rurais, passaram a ser reavaliadas

Agência Diário

Publicado em 23/03/2026 às 17:52

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Os mapas atualizados indicam que os assentamentos maias eram mais complexos e interligados do que se pensava / Ralf Roletschek/Wikimedia Commons

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O desaparecimento dos antigos maias foi considerado durante décadas um mistério sem resposta. Pesquisas recentes, porém, vêm apontando para uma explicação mais complexa.

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Ideias que pareciam consolidadas, como o tamanho da população nas terras baixas e o nível de integração entre cidades e áreas rurais, passaram a ser reavaliadas.

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Nesse cenário, o chamado “colapso” da civilização maia pode ter representado um processo diferente do que se imaginava, conforme destacou uma reportagem do jornal britânico The Guardian.

Francisco Estrada-Belli, professor do Instituto de Pesquisa Mesoamericana da Universidade Tulane, nos Estados Unidos, integra o grupo de pesquisadores que vem ampliando a compreensão sobre a civilização mesoamericana a partir de trabalhos de campo.

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Parte da descoberta

Em estudo publicado na revista científica Journal of Archaeological Science: Reports, Estrada-Belli estima que a população maia tenha alcançado 16 milhões de pessoas no período Clássico Tardio (600–900 d.C.).

Se a estimativa estiver correta, a região teria mais habitantes do que a península Itálica no auge do Império Romano, embora o território romano fosse três vezes maior, segundo o The Guardian.

O pesquisador afirmou: “Esperávamos um aumento modesto nas estimativas populacionais a partir de nossa análise LiDAR de 2018, mas ver um aumento de 45% foi realmente surpreendente”.

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Mapeamento por laser

Os pesquisadores utilizaram a tecnologia LiDAR, sigla para Light Detection and Ranging, para mapear áreas encobertas pela selva.

Equipamentos instalados em aviões emitiram bilhões de pulsos de laser que atravessaram a vegetação até atingir o solo, permitindo a criação de mapas tridimensionais.

xxNesse cenário, o chamado “colapso” da civilização maia pode ter representado um processo diferente do que se imaginava / Sean London/Shutterstock

Em relato concedido à National Geographic em 2024, Estrada-Belli descreveu que observava o colega Marcello Canuto abrir imagens aéreas e remover digitalmente a vegetação.

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Sob o que pareciam colinas surgiram reservatórios, terraços agrícolas, canais de irrigação e grandes pirâmides com complexos cerimoniais.

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Rede urbana

Os mapas atualizados indicam que os assentamentos maias eram mais complexos e interligados do que se pensava.

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Um exemplo é El Mirador, no norte da Guatemala. O levantamento mostrou que formações que pareciam naturais eram, na verdade, estradas elevadas e estruturas monumentais.

Essas vias conectavam a cidade a mais de 400 assentamentos vizinhos, formando uma ampla rede de comunicação.

Demandas atuais

Liwy Grazioso, ministra da Cultura e dos Esportes e arqueóloga especializada em história maia, afirmou: “Não é que os maias sejam melhores, ou que sua antiga sociedade fosse superior à nossa, mas que, como seres humanos, são iguais”.

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Mais de 11 milhões de pessoas pertencentes a diferentes povos maias e a outros grupos indígenas seguem reivindicando reconhecimento como nações preexistentes, autodeterminação territorial e acesso mais equitativo a recursos.

Sonia Gutiérrez, única mulher indígena no parlamento da Guatemala, declarou que “Não devemos ser vistos como um povo alheio, mas como pessoas que vivem em nosso país, onde viveram nossos antepassados”.

As descobertas arqueológicas recentes também colocam em debate narrativas consolidadas ao longo de séculos que reduziram a importância das culturas indígenas.

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Grazioso lembra que, por muito tempo, circularam teorias pseudocientíficas segundo as quais os templos maias teriam sido construídos por extraterrestres, e não pelos ancestrais das populações que habitavam a região.

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