Merkel não buscará novo mandato como chanceler da Alemanha

Merkel, 64, está à frente do país desde 2005 e comanda seu grupo político há ainda mais tempo, desde 2000

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29 OUT 2018Por Folhapress13h45
Merkel, 64, está à frente do país desde 2005 e comanda seu grupo político há ainda mais tempo, desde 2000Merkel, 64, está à frente do país desde 2005 e comanda seu grupo político há ainda mais tempo, desde 2000Foto: Laura Kotila/Finnish Government/Fotos Públicas

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse a correligionários nesta segunda-feira (29) que não buscará um quinto mandato na chefia de governo em 2021 e que deixará a liderança do Partido Democratas Cristãos (CDU) no fim de 2018. As informações são da imprensa local. 

Merkel, 64, está à frente do país desde 2005 e comanda seu grupo político há ainda mais tempo, desde 2000.

Ela havia se mostrado disposta a buscar a recondução a esse último cargo (por um período de dois anos) na votação prevista para dezembro deste ano. 

Voltou atrás, porém, depois de resultados desfavoráveis, em eleições regionais, para os partidos da coligação que a sustenta. 

No domingo (28), seu CDU teve uma vitória de Pirro na votação no estado de Hesse: foi o primeiro colocado, mas, com cerca de 27% dos sufrágios, teve seu pior desempenho local em mais de 50 anos. 

Os sociais-democratas, parceiros dela na situação, alcançaram um segundo lugar com ainda mais sabor de derrota, em virtual empate com os verdes e tendo sua marca mais baixa em mais de 70 anos. 

Para complicar, o partido direitista populista Alternativa para a Alemanha (AfD), hoje a principal força de oposição no Parlamento nacional, obteve votos suficientes para aceder ao último Legislativo estadual em que ainda não tinha assentos. No último dia 14, a frente governista havia sofrido baque semelhante no pleito da Baviera. Ali, a CSU, "irmã" local da CDU, perdeu 16 cadeiras legislativas, e a SPD (social-democracia) se viu superada em porcentagem de votos pela AfD, mas não só -terminou a disputa numa incômoda quinta colocação. 

Na eleição nacional de 2017, a maré já começara a virar, com a ascensão da AfD ao Bundestag e um período de limbo de inacreditáveis seis meses até a formação do atual governo. 

O anúncio da saída de Merkel das rédeas da CDU já deslanchou a corrida para sucedê-la.

A imprensa alemã coloca na disputa a atual secretária-geral da legenda, Annegret Kramp-Karrenbauer, que seria a preferida da atual nº 1, o ministro da Saúde Jens Spahn, esse do campo adversário ao da chefe na sigla, e o ex-líder parlamentar do bloco CDU-CSU Friedrich Merz.