Maior hidrelétrica do mundo quebra recordes, muda a rotação do planeta e intriga cientistas

A usina supera Itaipu em capacidade e produção, movimenta bilhões de litros de água diariamente e, segundo estudos, tornou os dias na Terra ligeiramente mais longos

Localizada na província de Hubei, a hidrelétrica foi construída sobre o rio Yangtze o terceiro maior do mundo, responsável por abastecer grande parte do território chinês

Localizada na província de Hubei, a hidrelétrica foi construída sobre o rio Yangtze o terceiro maior do mundo, responsável por abastecer grande parte do território chinês | Reprodução

A engenharia humana é capaz de feitos impressionantes — alguns tão grandiosos que chegaram a influenciar até a rotação do planeta. É o caso da Barragem das Três Gargantas, na China, considerada a maior hidrelétrica do mundo e uma das obras mais monumentais da história moderna.

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A usina supera Itaipu em capacidade e produção, movimenta bilhões de litros de água diariamente e, segundo estudos, tornou os dias na Terra ligeiramente mais longos, mesmo que em escala microscópica.

A força das Três Gargantas

Localizada na província de Hubei, a hidrelétrica foi construída sobre o rio Yangtze — o terceiro maior do mundo, responsável por abastecer grande parte do território chinês. A região das Três Gargantas (Qutang, Wu e Xiling) forma um desnível natural que favorece a geração de energia em alta escala.

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Inaugurada em 2012, após quase duas décadas de obras, a usina possui:

22.500 MW de capacidade instalada

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32 turbinas principais, cada uma gerando 700 MW

Dois geradores adicionais voltados ao funcionamento interno

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Um elevador de barcos, tecnologia que permite navegação em um trecho antes intransponível

A grandiosidade se refletiu nos números de 2020: em um ano de fortes chuvas de monções, Três Gargantas bateu o recorde histórico de Itaipu, produzindo quase 112 TWh, contra os 103 TWh já alcançados pela usina brasileira.

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Como uma hidrelétrica conseguiu alterar a rotação da Terra

A barragem possui 2.335 metros de extensão e 185 metros de altura, com capacidade para reter 40 km³ de água — o equivalente a cerca de 40 trilhões de litros. Esse enorme volume deslocado tem impacto direto sobre o chamado momento de inércia da Terra.

Segundo estudos da NASA, esse acúmulo de água:

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Modifica a distribuição de massa do planeta

Desloca ligeiramente o eixo terrestre

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Desacelera a rotação, tornando o dia 0,06 microssegundos mais longo

O fenômeno é imperceptível no cotidiano, mas cientificamente relevante. O geofísico Benjamin Fong Chao, da NASA, explicou que qualquer deslocamento massivo de água ou gelo pode alterar a dinâmica rotacional do planeta — um conceito semelhante ao de um patinador girando mais rápido ao aproximar os braços do corpo.

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Impactos comparáveis

Para efeito de comparação:

O terremoto da Indonésia (2004), que gerou o devastador tsunami, encurtou o dia em 2,68 microssegundos.

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O derretimento de geleiras e a extração de água subterrânea em larga escala também já foram responsáveis por deslocamentos do eixo terrestre.

Entre 1993 e 2010, a retirada de água do subsolo elevou o nível dos oceanos e fez o eixo da Terra migrar 80 centímetros para o leste.

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Precisaremos ajustar os relógios um dia?

Embora as mudanças sejam pequenas, especialistas já discutem a necessidade de ajustes no futuro. Caso as oscilações se intensifiquem, pode ser necessário implementar um “segundo intercalar negativo”, reduzindo um minuto para 59 segundos — medida que mantém os relógios atômicos sincronizados com a rotação real do planeta.

Ainda não há previsão de quando isso poderá ocorrer, mas o debate mostra como grandes obras e ações humanas estão profundamente entrelaçadas com fenômenos naturais antes considerados imutáveis.