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Machu Picchu entra na "lista negra" do turismo, mas ainda vale a pena visitar?

Site de turismo cita excesso de visitantes e alerta para prejuízos ao patrimônio cultural e natural

Isabella Fernandes

Publicado em 09/02/2026 às 20:10

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Esse debate ganha ainda mais força com a confirmação de que o ingresso para Machu Picchu ficará mais caro a partir de 2026 / Pixabay

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O destino turístico mais famoso do Peru agora é motivo de alerta. O site internacional Travel and Tour World (TTW) incluiu a cidade inca de Machu Picchu, em Cusco, em uma lista de destinos turísticos mundialmente conhecidos que, apesar da popularidade nas redes sociais como o Instagram, não valem mais a pena ser visitados por causa da superlotação, dos altos custos e do impacto negativo no patrimônio cultural e natural. Mas será mesmo?

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Esse debate ganha ainda mais força com a confirmação de que o ingresso para Machu Picchu ficará mais caro a partir de 2026, especialmente para turistas estrangeiros, incluindo os brasileiros. O governo peruano anunciou um reajuste na tarifa com o argumento de que os recursos atuais não são suficientes para garantir a conservação do sítio arqueológico e a manutenção das vias de acesso.

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Confesso que li essa notícia com atenção especial porque estive lá exatamente na época mencionada: viajei ao Peru entre os dias 18 e 22 de abril de 2025, e fui a Machu Picchu no dia 20, no domingo de Páscoa. Ou seja, peguei o auge da temporada. E sim, estava absolutamente lotado.

O caos que ninguém mostra no Instagram

Segundo o portal, a situação piora com o colapso no sistema de venda de ingressos, denúncias de corrupção interna, venda ilegal de entradas e pressões políticas para aumentar o número diário de visitantes. O Ministério da Cultura chegou a propor a entrada de até 27 mil turistas por dia, com ingressos a 35 soles e visitas limitadas a uma hora, medida amplamente criticada por especialistas, arqueólogos e representantes do turismo formal.

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Além da superlotação, o aumento dos custos pesa cada vez mais no bolso dos turistas. Em Águas Calientes, cidade-base para chegar a Machu Picchu, os preços de hotéis, alimentação e transporte dispararam. Com o reajuste confirmado no valor do ingresso para 2026, a tendência é que a experiência fique ainda mais cara para quem pretende visitar o destino nos próximos anos.

O resultado é uma experiência cada vez mais onerosa, desorganizada e estressante, distante da atmosfera mística e ancestral que se espera do lugar. Turistas locais e estrangeiros reclamam de filas longas, falta de estrutura e serviços sobrecarregados.

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A verdade é que o lugar estava bem diferente do que eu imaginava pelas fotos que a gente vê nas redes. Filas enormes, muita gente por todos os lados, serviços confusos, preços inflacionados.

E olha que eu nem peguei tempo bom: choveu no dia da visita. Mesmo assim, o local continuava cheio. Vi trilhas com gente demais, áreas que claramente não estavam sendo respeitadas, grupos passando por rotas com número bem acima do que a estrutura aguenta.

De acordo com a Controladoria Geral do Peru, há trilhas que chegam a receber até 700 pessoas por dia, quando o máximo recomendado seria 450. Isso não só desgasta o sítio arqueológico, como também prejudica o ecossistema. A Unesco já alertou que, se nada for feito, Machu Picchu pode ser incluído na lista de Patrimônio Mundial em Perigo.

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Realmente não vale a pena?

Mesmo com tudo retratado na matéria do Travel and Tour World, eu amei a experiência. Ver Machu Picchu ao vivo, mesmo sob chuva e em meio à multidão, foi mágico pra mim.

É por isso que acredito que a experiência é muito individual. O que é caótico para alguns, pode ser inspirador para outros. Mas uma coisa é certa: os impactos do turismo em massa são reais, o número de visitantes precisa ser reduzido urgentemente. Do contrário, corremos o risco de destruir justamente aquilo que viemos buscar: o encanto e a grandiosidade desse lugar único no mundo.

Para mim, ainda vale a pena visitar o Peru e Machu Picchu, mas com expectativas ajustadas. Não espere um passeio tranquilo e silencioso. Não vá achando que vai tirar uma foto sozinho com as montanhas ao fundo. E, acima de tudo, vá com respeito ao espaço, à cultura e ao que esse lugar representa.

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