A tripulação responsável pela missão Challenger STS-51L em 1986 / Reprodução/NASA
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Era uma manhã atipicamente gelada na Flórida, naquele 28 de janeiro de 1986. No Centro Espacial Kennedy, o termômetro marcava temperaturas abaixo de zero, algo raro para a região, e estalactites de gelo pendiam da torre de lançamento. O mundo inteiro, porém, estava com os olhos voltados para o céu, aquecido pela expectativa de um marco histórico: a missão Challenger STS-51L.
A bordo, sete corajosos passageiros não eram apenas astronautas experientes. Entre o comandante Francis Scobee e os especialistas Michael J. Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair e Gregory Jarvis, estava Christa McAuliffe. Ela não era militar nem cientista da NASA; era uma professora de história, selecionada entre 11 mil educadores para ser a primeira civil no espaço. Milhões de crianças nas escolas americanas assistiam à transmissão ao vivo, prontas para ver sua "colega" dar uma aula lá do alto.
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Mas, nos bastidores, o clima era de tensão silenciosa. Engenheiros da empresa Morton Thiokol haviam alertado, na noite anterior, que o frio extremo poderia comprometer os anéis de borracha (O-rings), responsáveis por vedar as juntas dos propulsores de combustível sólido. Eles temiam que o material endurecesse e não vedasse corretamente. Contudo, após pressões e reuniões intensas, a decisão final foi manter o cronograma: o lançamento teria sinal verde.
Às 11h38, os motores rugiram. A Challenger subiu, rasgando o azul do céu da Flórida sob os aplausos da multidão e dos familiares que assistiam de perto. Por 60 segundos, tudo parecia um sucesso absoluto.
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Mas, aos 73 segundos de voo, o pesadelo se materializou.
Uma falha de vedação em uma das juntas do propulsor direito permitiu que gases incandescentes escapassem, agindo como um maçarico sobre o tanque externo de combustível, repleto de hidrogênio e oxigênio líquido. Em um piscar de olhos, a aeronave se transformou em uma gigantesca e trágica nuvem branca de fumaça e fogo.
A euforia na Terra transformou-se em um silêncio aterrador. Enquanto os destroços caíam sobre o Oceano Atlântico, a voz do locutor da NASA, num tom que tentava manter a sobriedade apesar do choque, anunciava: "Obviamente, uma falha catastrófica". O sonho de levar a educação ao espaço havia se tornado a primeira grande tragédia transmitida em tempo real para todo o planeta.
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A investigação que se seguiu, liderada pela Comissão Rogers, revelou que o desastre não foi apenas uma falha técnica, mas uma falha de comunicação e segurança dentro da agência espacial. Hoje, 40 anos depois, a memória da Challenger permanece como um lembrete solene dos riscos da exploração humana e da coragem daqueles que ousam desafiar a gravidade.