Grécia não pode ser deixada sozinha com os migrantes, pede ONU

Ban Ki-moon ganhou, de Tsipras, um colete salva-vidas, "um presente simbólico, recolhido, como tantos outros, na costa grega"

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18 JUN 2016Por Folhapress21h00

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu neste sábado (18) que países façam mais para ajudar a cooperar com a crise migratória na Europa, dizendo que a Grécia não pode gerenciar por conta própria.

Em discurso em Atenas antes de dirigir-se para a ilha grega de Lesbos, a porta de entrada para a Europa para cerca de um milhão de pessoas no último ano, o secretário-geral disse que a Grécia mostrou "notável solidariedade e compaixão" ao lidar com as centenas de milhares de imigrantes fugindo da guerra, apesar das dificuldades econômicas.

"A Grécia não deve ser deixada sozinha para lidar com este desafio por conta própria", disse a jornalistas depois de reunião com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

"Nós precisamos trabalhar juntos para proteger pessoas e lidar com as causas do deslocamento. Eu continuo a pedir uma melhor divisão desta responsabilidade com toda Europa e inclusive com o mundo".

O chefe da ONU, no entanto, fez críticas à prisão de migrantes, que chegaram em travessias irregulares à Europa. "A detenção não é a solução, deveria parar imediatamente."

Ban Ki-moon ganhou, de Tsipras, um colete salva-vidas, "um presente simbólico, recolhido, como tantos outros, na costa grega".

O movimento migratório da Turquia para a Grécia diminuiu desde março, quando a União Europeia e Ancara chegaram a um acordo para fechar a rota em troca de ajuda financeira e política.

O acordo permite à Grécia devolver à Turquia os imigrantes que não pediram asilo ou cujos pedidos foram recusados.

Autoridades dizem que atualmente há cerca de 8.400 imigrantes nas ilhas gregas, e a maioria expressou interesse em solicitar asilo, o que sobrecarregou o sistema.

Adicionalmente, há outros 48 mil imigrantes estimados na Grécia continental, presos após uma onda de fechamentos de fronteiras nos Balcãs.