Governo do estado da Geórgia diz que terá de recontar votos locais

No estado, Joe Biden aparecia à frente de Donald Trump por apenas 1.602 votos no fim da tarde desta sexta

O secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, afirmou, nesta sexta-feira (6), que será feita uma recontagem dos votos locais para a eleição presidencial dos Estados Unidos devido à margem estreita entre os candidatos.

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No estado, Joe Biden aparecia à frente de Donald Trump por apenas 1.602 votos no fim da tarde desta sexta. Pela manhã do mesmo dia, o governo disse que faltava contar cerca de 4.000 cédulas, a maior parte delas de voto pelo correio.

No entanto, o estado ainda espera receber votos vindos do exterior, como de militares. Essas cédulas serão incluídas na apuração desde que tenham sido postadas no correio até terça (3) e sejam recebidas até esta sexta, em horário comercial. O número de cédulas que ainda podem chegar não foi estimado.

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Há também outro lote de votos que aguardam validação, como no caso de eleitores que não levaram os documentos certos no dia da eleição, registraram o voto de modo provisório e se comprometeram a voltar nos dias seguintes para resolver a pendência.

Trump manteve a liderança durante a maior parte da apuração na Geórgia, e chegou a declarar vitória no estado poucas horas após o fechamento das urnas na terça.

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Durante esta quinta (5), entretanto, a diferença entre os candidatos foi diminuindo gradativamente, embora o republicano permanecesse com uma pequena vantagem.

A virada de Biden ocorreu conforme foram contabilizadas mais cédulas enviadas pelo correio, já nesta sexta.

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A Geórgia, um estado tradicionalmente republicano, dá direito a 16 votos no colégio eleitoral. A última vez que os democratas levaram a Geórgia nas eleições presidenciais foi em 1992, quando o estado ajudou a eleger Bill Clinton.

Caso Biden vença ali, acumulará 269 do total de 538 delegados, ficando a apenas um delegado da vitória no Colégio Eleitoral e efetivamente impedindo que Trump alcance os 270 votos necessários para garantir a reeleição.

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Ainda assim, em um cenário em que o republicano vença em todos os demais estados que seguem indefinidos -Arizona, Nevada, Pensilvânia, Carolina do Norte e Alasca-, Trump também alcançaria a marca de 269 delegados e empataria com Biden.

Se nenhum candidato obtém a maioria dos votos dos delegados no Colégio Eleitoral, quem decide o vencedor é a Câmara dos Representantes. Mas não pelo sistema “uma pessoa-um voto”. Cada estado tem um voto, decidido pela bancada estadual dos deputados.

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Assim, a Califórnia, por exemplo, com cerca de 40 milhões de habitantes, tem direito a um voto, e Wyoming, com população de 590 mil, também.

Em discurso na noite de quinta, Trump mentiu e acusou autoridades eleitorais em estados governados pelos democratas de estarem fraudando as eleições, sem apresentar provas.

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Na lógica do presidente e de seus apoiadores, um dos sinais de fraude é o fato de que a apuração preliminar chegou a sugerir sua vitória em diversos estados, até que os votos por correio começaram a ser contados.

Republicanos tendem a votar presencialmente, enquanto democratas recorrem ao correio. Não há nada de irregular ou de inesperado nessas mudanças em pontos percentuais -mas Trump diz que é um roubo.

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O atual presidente fez uma campanha marcada por ataques à credibilidade do sistema eleitoral americano, e agora aciona a Justiça em diversos estados para tentar invalidar as cédulas enviadas por correspondência.

Na madrugada desta sexta, Trump voltou a usar as redes sociais para inflamar seu discurso de questionamento do pleito.
“Eu ganho facilmente a Presidência dos Estados Unidos com votos legais”, escreveu o presidente no Twitter, embora seu adversário continue na liderança no cenário nacional. “Não foi permitido aos observadores, de forma alguma, a realização de seu trabalho e, portanto, os votos aceitos neste período devem ser considerados votos ilegais. A Suprema Corte dos EUA deve decidir!”

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À semelhança do que foi feito com outras publicações do presidente que questionam o processo de apuração, o Twitter rapidamente sinalizou a postagem com um alerta de que as informações nela contidas “são contestáveis e podem ter informações incorretas sobre como participar de uma eleição ou de outro processo cívico”.