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Com tamanho equivalente ao Paraná, Thwaites já responde por 4% da elevação anual do mar; projeto testa barreira submersa inédita na Noruega
Enquanto uns defendem geoengenharia polar para salvar geleira, críticos alertam para riscos ecológicos e desvio de verbas / Reprodução/Wikimidia NASA
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O iminente colapso da geleira Thwaites, na Antártida Ocidental, conhecida como "Geleira do Juízo Final" ou "Geleira do Apocalipse", poderia elevar o nível global do mar em até 65 centímetros, com consequências catastróficas para cidades costeiras em todo o planeta.
Diante desse cenário, um grupo internacional de cientistas apresentou uma solução radical, a instalação de uma gigantesca cortina submersa capaz de bloquear o avanço das correntes marítimas quentes que aceleram o derretimento do gelo.
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A Thwaites é uma das maiores e mais instáveis massas de gelo do planeta. Com aproximadamente o tamanho do estado do Paraná ou do Reino Unido, e espessura que chega a 2.000 metros em alguns pontos, a geleira já responde por cerca de 4% da elevação anual do nível do mar.
Seu colapso total não apenas elevaria os oceanos em mais de meio metro, mas também desestabilizaria o restante do manto de gelo da Antártida Ocidental, ampliando os riscos em longo prazo.
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O principal vilão do processo é a água quente do oceano, que, impulsionada pelas mudanças climáticas, infiltra-se na fenda entre a geleira e a plataforma continental, derretendo o gelo por baixo.
Para atacar a fonte do problema, cientistas do Seabed Curtain Project (Projeto Cortina Submarina) propõem a construção de uma barreira flexível ancorada no fundo do oceano, a cerca de 650 metros de profundidade.
A estrutura teria aproximadamente 150 metros de altura e 80 quilômetros de extensão – o suficiente para cobrir uma porção chave do leito marinho à frente da geleira.
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O objetivo é bloquear as correntes quentes como um "campo de força" subaquático, permitindo apenas a passagem da água fria superficial. Ainda sem material definido, a cortina funcionaria como um quebra-mar invertido, preservando o gelo enquanto o mundo busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O preço estimado para implementar a barreira varia entre US$ 40 bilhões e US$ 80 bilhões (aproximadamente R$ 418 bilhões), segundo o The Atlantic. Contudo, cientistas rebatem que "Se você comparar os custos do projeto com os custos de reparo costeiro e danos, é uma fração. O custo deste projeto será na casa dos bilhões. O custo dos danos será na casa dos trilhões".
Antes de qualquer tentativa na Antártida, os pesquisadores planejam um experimento de menor proporção. A Universidade Ártica da Noruega, parceira do projeto, instalará uma cortina reduzida no fundo de um fiorde norueguês para testar a viabilidade da tecnologia em condições menos extremas.
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"Seria absolutamente insano, do ponto de vista econômico, ir direto para Thwaites e começar a construir algo. Precisamos testar isso a um custo muito menor, em condições menos severas", explicou um dos pesquisadores.
A fase inicial de três anos incluirá a seleção de materiais, o design de ancoragem e a avaliação dos impactos ecológicos, com financiamento inicial de US$ 10 milhões.
Enquanto o projeto da cortina avança, cientistas do Reino Unido e da Coreia do Sul estão perfurando a geleira para coletar dados inéditos.
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Usando água quente, a equipe do British Antarctic Survey (BAS) e do Korea Polar Research Institute (KOPRI) instalará instrumentos a quase mil metros de profundidade para medir em tempo real a interação entre a água quente e o gelo.
"Esta é uma das geleiras mais importantes e instáveis do planeta, e finalmente podemos ver o que está acontecendo onde mais importa", disse o oceanógrafo Peter Davis, do BAS.
Se a cortina submarina sairá do papel, ainda é incerto. Mas para os defensores do projeto, a humanidade pode não ter o luxo de esperar.
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