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Fim do mistério: cientistas descobrem por que o gelo da Antártida começou a derreter em 2015

Sensores em elefantes-marinhos revelam que o enfraquecimento da camada 'Winter Water' e tempestades em 2015 causaram a virada brusca no degelo

Luna Almeida

Publicado em 25/03/2026 às 22:40

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A ciência contou com aliados inusitados na pesquisa: os elefantes-marinhos / Reprodução/Arquivo Pessoal/Li Ling

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Pesquisadores desvendaram o mecanismo que causou a queda repentina e alarmante na cobertura de gelo marinho da Antártida a partir do final de 2015. Durante décadas, o continente apresentou um comportamento de expansão lenta, mas o sistema passou por uma ruptura drástica. 

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O estudo aponta que o fenômeno foi causado pelo enfraquecimento de uma barreira natural de água gelada, conhecida como Winter Water, que protegia o gelo das águas profundas mais quentes do oceano.

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Essa camada de proteção funcionava como um isolante térmico devido às diferenças de temperatura e salinidade, que impediam a mistura das águas. 

No entanto, o aquecimento gradual do oceano profundo e o afinamento dessa camada superficial prepararam o terreno para o colapso. 

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O ponto de virada ocorreu quando tempestades incomumente fortes em 2015 agitaram o mar, misturando as águas quentes do fundo com a superfície e rompendo a barreira que sustentava o gelo.

Veja também: Cientistas acendem alerta sobre aumento de chuvas na Antártida

O papel dos elefantes-marinhos na descoberta

Para chegar a essa conclusão, a ciência contou com aliados inusitados: elefantes-marinhos. Equipados com sensores de alta tecnologia, esses animais mergulharam centenas de metros em regiões de difícil acesso, coletando dados de temperatura e salinidade ao longo de quase duas décadas. 

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As informações enviadas pelos sensores, somadas ao monitoramento de robôs autônomos, permitiram aos cientistas mapear o afinamento da camada Winter Water e comprovar a mistura térmica ocorrida em 2015.

A descoberta é fundamental porque o gelo marinho desempenha um papel crítico no equilíbrio climático global, refletindo a radiação solar e regulando a troca de calor entre o mar e a atmosfera. 

Sem essa cobertura, o Oceano Austral absorve mais energia, acelerando o aquecimento da região e impactando diretamente os ecossistemas locais. 

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Os dados mostram que a perda de gelo depende muito mais da dinâmica oceânica do que apenas das variações atmosféricas.

Impactos nos modelos climáticos

O entendimento desse processo revela falhas em modelos climáticos anteriores, que não representavam adequadamente a importância dessa estratificação das águas. 

Com as novas informações, especialistas acreditam ser possível aprimorar as previsões sobre o futuro da Antártida. Entre os principais pontos de atenção para os próximos anos destacam-se:

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Monitoramento do Oceano Austral: Foco constante na temperatura das águas profundas.

Refinamento de previsões: Modelos climáticos agora consideram a mistura das camadas de água.

Aceleração do degelo: Compreensão de que tempestades de inverno podem ser gatilhos para perdas rápidas.

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A pesquisa reforça que o derretimento observado não foi um evento isolado, mas o resultado de um processo silencioso de aquecimento que culminou em uma mudança física definitiva no sistema oceânico. 

O desafio agora é projetar como o continente reagirá nos próximos anos diante de um oceano cada vez mais instável e tempestades mais frequentes.

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