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Fenômeno milagroso faz árvores 'renascerem' em área árida e impressiona cientistas

Algumas áreas secas estão vendo o retorno espontâneo de bosques, com árvores renascendo a partir de tocos e raízes enterradas

Ana Clara Durazzo

Publicado em 26/01/2026 às 14:45

Atualizado em 26/01/2026 às 14:48

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A prática ganhou nome e método: trata-se da regeneração natural manejada de árvores, conhecida internacionalmente como FMNR / ImageFX

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Durante décadas, a desertificação em diferentes regiões da África foi associada a um cenário devastador: perda de florestas, solos esgotados e paisagens cada vez mais áridas. Mas no interior da Tanzânia, na África Oriental, agricultores e pesquisadores vêm observando um movimento inesperado — e extremamente promissor.

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Em vez de depender de grandes campanhas de reflorestamento, algumas áreas secas estão vendo o retorno espontâneo de bosques, com árvores renascendo a partir de tocos e raízes enterradas, sem que seja necessário plantar mudas novas.

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A prática ganhou nome e método: trata-se da regeneração natural manejada de árvores, conhecida internacionalmente como FMNR (Farmer Managed Natural Regeneration).

O que é a regeneração natural manejada de árvores (FMNR)?

Ao contrário de programas tradicionais de reflorestamento, a FMNR não começa do zero. O sistema parte de um princípio simples: as árvores já existem — mesmo quando parecem ter desaparecido.

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Em muitas regiões semiáridas da Tanzânia, raízes antigas permanecem vivas sob a terra. A partir delas, surgem pequenos brotos que inicialmente parecem arbustos frágeis. Com manejo adequado, esses brotos conseguem recuperar o porte arbóreo.

O processo é conduzido pelos próprios agricultores, que seguem etapas práticas:

  • identificam tocos ativos no campo

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  • escolhem os ramos mais fortes

  • podam os demais

  • protegem as brotações contra gado e cortes indiscriminados

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Com isso, a energia da raiz passa a alimentar poucos caules, fortalecendo o crescimento.

Por que a técnica funciona melhor em áreas áridas?

Um dos maiores obstáculos do reflorestamento em zonas secas é o baixo índice de sobrevivência das mudas. Em muitos casos, mais da metade das árvores plantadas não resiste ao calor, à escassez de água e aos animais.

A FMNR contorna esse problema ao usar a 'infraestrutura' já instalada no solo:

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  • raízes antigas e profundas acessam água em camadas subterrâneas

  • resistência maior a secas prolongadas

  • adaptação ao clima local

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Além disso, o método reduz custos e evita impactos de plantios massivos com espécies exóticas. Na FMNR, o foco é valorizar espécies nativas, que já são adaptadas ao solo, à fauna e ao ecossistema.

Benefícios ambientais: sombra, menos erosão e recuperação do solo

À medida que a copa das árvores retorna às paisagens semiáridas, os efeitos ambientais são rápidos e evidentes.

Entre os principais benefícios estão:

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  • melhoria do microclima local, com aumento de sombra

  • redução da temperatura do solo

  • diminuição da evaporação, preservando umidade

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  • raízes estabilizando o terreno, reduzindo erosão por vento e chuva

  • recuperação de nutrientes com matéria orgânica (folhas e galhos)

  • maior infiltração de água no solo

Esse processo ajuda a conter o avanço da desertificação, favorecendo o equilíbrio ambiental e a restauração de áreas degradadas.

Impacto direto na agricultura e na vida das famílias

A regeneração não beneficia apenas a natureza. Ela também fortalece a produção agrícola e o bem-estar das famílias rurais.

Com solo mais fértil e protegido, os agricultores conseguem:

  • melhorar produtividade

  • ampliar disponibilidade de lenha e recursos locais

  • aumentar segurança alimentar

  • reduzir vulnerabilidade em períodos de seca

A vegetação deixa de ser vista como obstáculo ao cultivo e passa a integrar o sistema produtivo como aliada da sustentabilidade.

Método comunitário: restauração nasce da rotina no campo

Outro ponto importante da FMNR é que ela depende menos de projetos externos e mais da organização local.

A técnica se espalha principalmente por meio de:

  • formações práticas em comunidades

  • atuação de organizações regionais

  • presença dos chamados 'agricultores multiplicadores', que ensinam outros produtores

O resultado é maior autonomia: o conhecimento se torna comunitário e contínuo, não um projeto pontual.

Tendência até 2030: FMNR deve ganhar força em políticas ambientais

Experiências já observadas em países como Tanzânia e Níger indicam que a regeneração natural manejada pode se tornar cada vez mais estratégica em programas de restauração ambiental nos próximos anos.

Em um cenário de mudanças climáticas e pressão por terras, métodos que unem baixo custo, alta eficiência e participação comunitária tendem a se consolidar.

Entre as principais direções debatidas por cientistas e governos estão:

  • ampliação de capacitações em FMNR para pequenos agricultores

  • integração da técnica em políticas nacionais contra desertificação

  • combinação da regeneração com plantios pontuais, onde não existam tocos e raízes

  • valorização do conhecimento tradicional no manejo de espécies nativas

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