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Ex-ditador do Egito Hosni Mubarak morre aos 91 anos

Mubarak comandou o Egito por 30 anos e foi deposto em 2011, após protestos em massa contra o governo

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25 FEV 2020Por Folhapress11h11
Foto: AMR DALSH via AGÊNCIA BRASIL

O ex-ditador do Egito Hosni Mubarak morreu aos 91 anos, informou a televisão estatal do país nesta terça-feira (25). Ele havia sido submetido a uma cirurgia há algumas semanas.

Mubarak comandou o Egito por 30 anos e foi deposto em 2011, após protestos em massa contra o governo -que fizeram parte da chamada Primavera Árabe.

Ele ficou preso por seis anos após ser retirado do cargo, e foi condenado à prisão perpétua pela morte de manifestantes durante a onda de protestos, mas acabou tendo a pena revogada em 2017 e foi solto.

Desde que foi destituído, o estado de saúde de Mubarak era objeto de especulações e informações contraditórias que citavam depressão, câncer ou problemas cardíacos. O ex-presidente foi hospitalizado diversas vezes desde que foi obrigado a abandonar o poder.

Filho de um funcionário público, Mohammed Hosni El Sayed Mubarak nasceu em uma vila no delta do rio Nilo em 4 de maio de 1928, quando o Egito ainda estava sob supervisão do Reino Unido, que controlava o canal de Suez.

Detalhes sobre o início de sua vida são pouco conhecidos. Ele se formou como piloto em 1950 e depois passou mais de dois anos na União Soviética, treinando como disparar bombas a partir do ar.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, ataques isralenses destruíram boa parte da Força Aérea do Egito. Mubarak foi então nomeado chefe da academia da aeronáutica, com a missão de recuperar o que foi perdido e, assim, poder revidar.

Mubarak se tornou chefe da Força Aérea a partir de 1972 e, no ano seguinte, comandou ataques a Israel durante a Guerra do Yon Kippur. O Egito perdeu essa guerra, mas conseguiu obter o controle do Canal de Suez nas negociações após o conflito.

Em 1975, se tornou vice-presidente do país, sob comando de Anwar Sadat. No entanto, o presidente foi morto em 1981, ao seu lado, durante um desfile militar, por ativistas islâmicos contrários às negociações feitas por Sadat com Israel.

Mubarak conseguiu controlar a situação caótica após o assassinato de Sadat, e passou a chefiar o Egito de modo autoritário.

Nos anos 1980, como presidente, enviou o Exército para reprimir motins contra o governo. Ele também retomou as relações com outros países árabes, que criticam o Egito pela forma como o país se relacionava com Israel.

Com apoio financeiro dos Estados Unidos, o Egito não voltou a atacar Israel, e Mubarak atuou como mediador entre israelenses e palestinos durante muitos anos.

Em 1989, o Egito foi readmitido na Liga Árabe. Suas ações, no entanto, irritaram muitos lideres no Oriente Médio. Depois que extremistas do Hamas tomaram o controle da Faixa de Gaza, em 2007, que fica na fronteira com o Egito, Mubarak apoiou o bloqueio israelense ao território.

Ataques de radicais islâmicos no Egito, inclusive em áreas turísticas, se tornaram justificativa para se manter um Estado autoritário. Mubarak também sobreviveu a várias tentativas de assassinato. Em 1995, por exemplo, atiradores dispararam contra seu carro durante uma visita à Etiópia.

Durante seu governo, a população do Egito dobrou de tamanho, mas muitos seguem na pobreza extrema.

Sua última década no poder teve momentos de crescimento econômico, motivadas por reformas supervisionadas por seu filho Gamal. No entanto, a corrupção fez com que boa parte da riqueza gerada ficasse com a elite próxima ao governo, aos militares e ao partido NDP.

Em 2010, o NDP tentou exigir 90% das cadeiras do Parlamento, de modo a expulsar a Irmandade Muçulmana da Casa. Esse ato gerou revolta na população que, estimulada pela revolta ocorrida semanas antes na Tunísia, foi para as ruas.

Em seguida, generais retiraram o apoio ao governo. Os Estados Unidos e outros governos ocidentais também ficaram do lado dos manifestantes. Isolado, acabou renunciando ao cargo e, em seguida, foi preso.

Seu julgamento começou em agosto de 2011. Ele foi apresentado à corte dentro de uma jaula. No ano seguinte, foi condenado à prisão perpétua e enviado para uma detenção no Cairo.

No entanto, ficaria pouco tempo preso. Em 2012, Mohamed Morsi foi eleito presidente do Egito, mas acabou derrubado pelos militares no ano seguinte. Desde então, o país é presidido por Mohamed Fatah al-Sisi, que fez carreira no Exército.

Sob o novo governo, as condenações de Mubarak condenações foram revistas. Ele acabou sendo libertado em 2017 e passou a morar nos arredores do Cairo, em um bairro próximo ao palácio presidencial que ocupou durante quase 30 anos.