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Essa estrada é engolida pelo mar duas vezes por dia e virou atração turística

Duas vezes por dia, o oceano avança e cobre completamente o caminho, que pode ficar submerso por até quatro metros de água, transformando a via em um espetáculo natural

Ana Clara Durazzo

Publicado em 03/01/2026 às 19:02

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Construída sobre uma faixa arenosa pavimentada com pedras e areia compactada, a estrada é estreita, sem acostamento ou proteção lateral / Reprodução/TripAdvisor

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A Passagem do Gois, localizada na costa oeste da França, é uma das estradas mais curiosas do mundo. Com cerca de 4,5 quilômetros de extensão, ela conecta a Ilha de Noirmoutier ao continente, mas só pode ser utilizada durante a maré baixa.

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Duas vezes por dia, o oceano avança e cobre completamente o caminho, que pode ficar submerso por até quatro metros de água, transformando a via em um espetáculo natural que combina engenho humano e a força imprevisível da natureza 

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Construída sobre uma faixa arenosa pavimentada com pedras e areia compactada, a estrada é estreita, sem acostamento ou proteção lateral. A aparência reforça sua origem híbrida: moldada ao longo dos séculos tanto pela intervenção humana quanto pela ação constante das marés 

Reprodução/TripAdvisor
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Uma estrada ditada pelas marés

O fenômeno das marés é o que define a existência da Passagem do Gois. Em períodos de maré baixa, carros, bicicletas e até pedestres conseguem atravessar o trajeto, vivenciando a sensação incomum de seguir por uma linha reta em meio ao oceano recuado. Muitos descrevem a experiência como 'caminhar sobre o mar', cercados por horizontes abertos e silêncio absoluto 

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Já quando a maré sobe, o cenário muda rapidamente. Em poucos minutos, a estrada desaparece sob as águas, tornando-se perigosa. A profundidade pode atingir até quatro metros, o suficiente para engolir veículos e colocar vidas em risco. Por isso, placas de alerta e painéis informativos orientam constantemente moradores e turistas sobre os horários seguros de travessia 

Séculos de uso e tradição

A Passagem do Gois é utilizada há séculos pelos habitantes locais. Antes da construção de pontes modernas, ela era a principal — e por muito tempo a única — ligação entre Noirmoutier e o continente. Pescadores, comerciantes e viajantes dependiam do caminho para garantir sustento e mobilidade, sempre respeitando o ritmo imposto pelo mar 

O próprio nome 'Gois' deriva de uma palavra antiga que significa 'caminho submerso', uma referência direta à natureza efêmera da estrada. Ao longo do tempo, o local também acumulou histórias e lendas sobre viajantes surpreendidos pela maré, narrativas que reforçam o respeito da comunidade pela força do oceano 

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Turismo, esporte e segurança

Hoje, a passagem deixou de ser apenas um caminho funcional e se tornou uma atração turística internacional. Visitantes do mundo inteiro se deslocam até a região para atravessar a estrada e registrar imagens icônicas da faixa estreita cercada pelo mar. Fotógrafos e cineastas encontram no Gois um cenário dramático, frequentemente retratado em documentários e campanhas turísticas 

Eventos esportivos, como corridas e maratonas, também já utilizaram o trajeto durante a maré baixa, transformando a estrada em uma pista única, com o oceano como pano de fundo. Para minimizar riscos, pequenas torres de resgate foram instaladas ao longo do percurso, servindo como refúgio para quem é surpreendido pela subida da água 

Patrimônio vivo da costa francesa

Embora hoje existam pontes modernas que garantem acesso seguro à Ilha de Noirmoutier, a Passagem do Gois permanece preservada como símbolo cultural, histórico e turístico. Além disso, a região ao redor abriga rica biodiversidade, com mariscos, algas e aves marinhas que convivem com o ciclo constante das marés, tornando o local também fonte de sustento para pescadores.

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Mais do que uma estrada, o Gois é um patrimônio vivo. Sua travessia ensina sobre planejamento, respeito à natureza e convivência com forças que fogem ao controle humano. Para quem cruza o caminho no momento certo, fica a memória singular de ter caminhado, ainda que por algumas horas, sobre o mar.

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