A região de El Ejido abriga uma imensa concentração de estufas agrícolas cobertas por plástico branco / kallerna/wikipedia
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Durante décadas, repetiu-se a mesma história: a Grande Muralha da China seria visível do espaço a olho nu. Em outra versão, o posto ficava com as pirâmides de Pirâmides de Gizé.
A ideia é sedutora. Monumentos colossais atravessando milênios, desafiando a gravidade e a imaginação humana. O problema? Do ponto de vista orbital, eles simplesmente não se destacam como o mito sugere.
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Mas há algo que realmente chama atenção lá de cima, e não foi construído por faraós nem por imperadores.
No sudeste da Espanha, na província de Almería, existe uma paisagem que mais parece um reflexo no espelho do planeta. A região de El Ejido abriga uma imensa concentração de estufas agrícolas cobertas por plástico branco.
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Vista do alto, a área parece um mar congelado sob o sol. Não há dunas, nem neve. O que se espalha por quilômetros é um mosaico geométrico de lonas reflexivas. O apelido não poderia ser outro: “Mar de Plástico”.
Não se trata de um detalhe no mapa. São mais de 40 mil hectares, algo em torno de 380 quilômetros quadrados, dedicados à produção intensiva de alimentos.
Dentro dessas estruturas, crescem tomates, pepinos, pimentões e melões que abastecem mercados em diversos países europeus. A organização é quase milimétrica: fileiras alinhadas, cobertura uniforme, produção contínua.
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Dica do editor: Ele passou 178 dias no espaço e voltou com um alerta: "Estamos vivendo uma grande mentira".
A explicação não está no tamanho isolado de cada estufa, mas no conjunto. A densidade e a uniformidade criam uma superfície altamente reflexiva.
Imagens divulgadas pela NASA mostram com nitidez a área brilhante contrastando com o entorno mais árido da região. O plástico branco reflete grande quantidade de luz solar, tornando o território visualmente distinto em fotografias orbitais.
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Não é uma muralha serpenteando montanhas, é um tapete agrícola que reluz.
Existe algo simbólico nisso. Enquanto monumentos antigos alimentam mitos sobre visibilidade espacial, é uma infraestrutura agrícola moderna, feita de metal e plástico, que realmente se destaca nas imagens feitas fora da Terra.
O “Mar de Plástico” transformou a região em referência mundial de agricultura intensiva. Ao mesmo tempo, levanta discussões sobre impactos ambientais, uso de recursos hídricos e sustentabilidade a longo prazo.
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Ou seja, aquilo que brilha do espaço também carrega complexidades aqui embaixo.
A lição é simples: o que se destaca da órbita nem sempre é o que imaginamos. Não são necessariamente as obras mais antigas ou mais famosas que capturam o olhar dos satélites.
Às vezes, é o reflexo do nosso modelo de produção. E, nesse caso, ele é branco, geométrico e visível a centenas de quilômetros acima da superfície.
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