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Entenda o caso: E-mails internos desmentem Zuckerberg em julgamento sobre vício no Instagram

Documentos de 2022 revelam metas agressivas para manter jovens conectados até 2026, contrariando depoimento do CEO

Nathalia Alves

Publicado em 19/02/2026 às 12:17

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CEO da Meta admite falhas na detecção de menores de 13 anos enquanto acusação apresenta provas de 4 milhões de contas infantis / Reprodução/Ryan Sun/AP Photo

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O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, prestou depoimento nesta quarta-feira (18) em um tribunal de Los Angeles no que é considerado um julgamento histórico sobre o vício em redes sociais entre jovens.

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Pela primeira vez, o bilionário fundador do Facebook respondeu diretamente a um júri sobre o impacto do Instagram na saúde mental de usuários menores de idade.

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Zuckerberg reiterou em seu testemunho que a Meta – que controla Facebook e Instagram – não permite que crianças menores de 13 anos usem suas plataformas. No entanto, ele admitiu que a empresa demorou a implementar mecanismos eficazes para identificar e barrar esses usuários.

"Adicionamos novas ferramentas de detecção ao longo dos anos. Acho que poderíamos ter chegado a esse ponto mais cedo", declarou Zuckerberg, segundo registros da Agência Brasil. 

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Documentos internos contradizem versão da empresa

O advogado de acusação, Mark Lanier, confrontou Zuckerberg com documentos internos da Meta que sugerem que crianças sempre foram um público relevante para os negócios da empresa.

Uma apresentação interna do Instagram de 2018 afirmava: "Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência".

Lanier também apresentou um levantamento de 2015 que estimava a existência de quatro milhões de contas do Instagram pertencentes a crianças com menos de 13 anos nos Estados Unidos. Na época, a plataforma calculava que 30% das crianças americanas de 10 a 12 anos já estavam na rede social.

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Outro e-mail exibido no tribunal, enviado pelo ex-vice-presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, questionava: "Temos limites de idade que não são aplicados (ou são inexequíveis?)" e observava que as diferentes políticas do Instagram em comparação com o Facebook tornavam "difícil afirmar que estamos fazendo tudo o que podemos".

O caso

O julgamento gira em torno de Kaley G.M., uma californiana de 20 anos que começou a usar YouTube aos seis anos e Instagram aos nove.

Ela alega que as empresas buscaram lucrar ao viciar crianças em seus serviços, mesmo sabendo que as redes sociais poderiam prejudicar a saúde mental.

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A autora afirma que os aplicativos alimentaram sua depressão e pensamentos suicidas .
Snap e TikTok, também acionadas no processo, chegaram a um acordo com a autora antes do início do julgamento na semana passada.

Metas de tempo de tela

Zuckerberg também foi questionado sobre declarações que fez ao Congresso dos EUA em 2021, quando afirmou não ter orientado as equipes do Instagram a maximizar o tempo dos usuários no aplicativo. Lanier apresentou e-mails de 2014 e 2015 nos quais Zuckerberg estabelecia metas para aumentar o tempo gasto na plataforma em dois dígitos percentuais .

O CEO respondeu que, embora a companhia tivesse estabelecido metas relacionadas ao tempo no passado, essa abordagem havia mudado.

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"Se você está tentando dizer que meu depoimento não foi preciso, discordo veementemente", afirmou . Documento de 2022 listava "marcos" para o Instagram, incluindo o aumento gradual do tempo de uso diário de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026.

Zuckerberg afirmou que esses números não eram "metas", mas "constatações" sobre o desempenho da empresa .

Defesa da Meta e Google

A Meta e o Google negam as alegações e destacam o trabalho que vêm realizando para adicionar recursos de segurança. A empresa de Zuckerberg cita pesquisas da Academia Nacional de Ciências dos EUA que, segundo a gigante de tecnologia, não encontraram evidências de que redes sociais afetem a saúde mental de crianças.

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O advogado da Meta disse aos jurados que os registros de saúde da autora mostram que seus problemas têm origem em uma infância conturbada e que as redes sociais eram uma forma de expressão criativa para ela.

Julgamento como caso de teste

O processo serve como parâmetro para milhares de ações semelhantes contra Meta, Google, Snap e TikTok movidas por famílias, distritos escolares e Estados nos EUA, que acusam as empresas de alimentar uma crise de saúde mental entre os jovens.

O advogado Matthew Bergman, que representa outros pais, afirmou do lado de fora do tribunal. "Sabemos que, simplesmente por termos alcançado esse marco, a Justiça foi feita".

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O julgamento com júri em Los Angeles deve se estender até o final de março. Se as empresas forem condenadas, o resultado pode abrir um precedente importante na responsabilização das plataformas de tecnologia globalmente.

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