Atualmente, estima-se que a Grande Pirâmide seja composta por cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra / Pexels/Alexey K.
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A construção das Grandes Pirâmides de Gizé, um dos maiores enigmas da engenharia da Antiguidade, ganhou um novo capítulo com a divulgação de um estudo que propõe uma solução mecânica inovadora.
A pesquisa sugere que os antigos egípcios não dependeram exclusivamente de imensas rampas externas, mas sim de um sofisticado sistema interno de polias e contrapesos.
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A teoria foca na arquitetura interna dos monumentos, propondo que espaços como a Grande Galeria foram projetados para servir como trilhos inclinados por onde mecanismos de elevação deslizariam para posicionar pedras monumentais.
Essa nova perspectiva ajudaria a explicar como blocos que pesam dezenas de toneladas foram elevados a alturas consideráveis com precisão milimétrica.
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Para os defensores da ideia, o uso de contrapesos seria muito mais eficiente e demandaria menos espaço e material do que a construção de rampas externas quilométricas, que teriam de ser desmontadas ao final da obra.
Atualmente, estima-se que a Grande Pirâmide seja composta por cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra, o que torna a logística da construção um desafio técnico colossal mesmo para os padrões modernos.
Embora a teoria das polias internas traga um novo olhar sobre o "como", ela não altera o "quando" e o "quem", pontos que possuem um sólido consenso na egiptologia.
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Evidências arqueológicas, como registros de trabalhadores, inscrições e datação de carbono, confirmam que as pirâmides foram erguidas por volta de 2.560 a.C., sob as ordens do faraó Quéops.
Outro mito derrubado pela arqueologia moderna é o de que a mão de obra seria escravizada; túmulos de operários e diários de bordo encontrados recentemente provam que o trabalho era realizado por cidadãos e artesãos especializados.
Fora do ambiente acadêmico, porém, o debate costuma ser alimentado por teorias mais fantasiosas. Ideias de que as pirâmides seriam obras de civilizações desconhecidas ou muito mais antigas do que os registros apontam costumam ganhar força em redes sociais.
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No entanto, especialistas alertam que essas hipóteses carecem de evidências materiais e ignoram o vasto rastro deixado pela burocracia egípcia na época, como os registros de pedreiras e o transporte de calcário pelo Rio Nilo.
A proposta do sistema de contrapesos se une a um histórico de diferentes modelos sugeridos ao longo das décadas. Entre as principais alternativas já apresentadas por engenheiros e arqueólogos estão:
Rampas Externas: O modelo mais tradicional, que sugere rampas retas ou em zigue-zague feitas de tijolos de barro e cascalho.
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Rampas Helicoidais: Teoria que propõe uma rampa que "abraçaria" a pirâmide por fora, subindo em espiral conforme a estrutura ganhava altura.
Rampas Internas: Hipótese desenvolvida pelo arquiteto francês Jean-Pierre Houdin, que sugere um túnel interno em espiral para levar as pedras ao topo.
Sistema de Guindastes: Uso de alavancas de madeira e suportes (semelhantes a polias primitivas) para elevar as pedras degrau por degrau.
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Cada nova descoberta, seja por meio de escaneamentos térmicos ou simulações digitais de física, aproxima a ciência de entender como uma civilização da Idade do Bronze realizou um feito que ainda hoje desafia a imaginação.
O debate permanece aceso, provando que as Pirâmides de Gizé continuam sendo uma fonte inesgotável de curiosidade e inovação científica.